Agência Senado/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)WSJ e Washington Post acusam Justiça brasileira de vingança política contra Flávio; Trump autoriza green card acelerado
Dois dos jornais mais influentes dos Estados Unidos publicaram, nesta semana, editoriais que colocam em xeque a atuação do Judiciário brasileiro no caso do senador Flávio Bolsonaro (PL), que deixou o país na terça-feira e chegou a Miami horas depois de o ministro Alexandre de Moraes determinar a apreensão de seus passaportes.
O Washington Post, em editorial intitulado “Quando juízes se tornam promotores”, afirmou que ministros do Supremo Tribunal Federal “reúnem funções que deveriam ficar separadas” e citou diretamente Moraes como exemplo. “Em 2024, Moraes demonstrou até onde estava disposto a ir. Ele ordenou o bloqueio do X, a plataforma de redes sociais, em todo o Brasil”, escreveu o jornal, classificando a medida como “ataque flagrante à liberdade de expressão” que colocou o Brasil “em uma espécie de lista de países párias que inclui China, Irã e Turcomenistão”.
“Perder uma eleição não deveria levar candidatos a fugir de seus países. Mas foi o que aconteceu com Flávio Bolsonaro, que chegou a Miami na quarta-feira, três dias após sua derrota no segundo turno, por temer uma prisão iminente”, afirmou o editorial, de propriedade do empresário Jeff Bezos.
“No Brasil, a vitória traz consigo a vingança política”
O Wall Street Journal foi na mesma direção em editorial publicado um dia antes. “Espera-se que os vencedores na política sejam magnânimos com os derrotados; no Brasil, contudo, eles processam os perdedores”, escreveu o jornal, recordando a fala do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva durante o debate na Band, uma semana antes do segundo turno: “Você se prepare, porque no dia 25, você vai perder imunidade e você vai ter problema, porque a sua vida tem muito inquérito que agora vai andar”.
Para o WSJ, “a prerrogativa de decidir se um político federal deve ser alvo de um processo criminal cabe ao procurador-geral da República. Contudo, o ministro Alexandre de Moraes tem adotado a prática de ampliar sua própria jurisdição sempre que isso atende aos seus objetivos políticos”.
Trump autorizou a entrada e Flávio deve receber green card acelerado
Segundo o New York Times, o próprio presidente americano Donald Trump determinou a concessão de uma autorização especial para a entrada de Flávio no país. O senador está na Flórida com uma permissão migratória temporária (parole) e deverá solicitar o green card nas próximas semanas, com tramitação acelerada, seguindo o mesmo caminho do irmão Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde 2025 e obteve residência permanente em julho deste ano.
O jornal americano revelou ainda que Jason Miller, funcionário de comunicação da Casa Branca, providenciou o jato particular usado pela família Bolsonaro para a viagem, com escala em Guayaquil, no Equador, para reabastecimento. Flávio, a esposa e as duas filhas foram inspecionados pelo Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos ao desembarcarem em Miami e liberados após os procedimentos de praxe, segundo confirmou o Departamento de Segurança Interna americano ao Times.
Com informações de O Antagonista, Gazeta do Povo e New York Times.
