Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)Kassab cobra medidas econômicas para PSD ter relação profunda com governo Lula
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, revelou que o governo do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já procurou o partido para discutir uma possível aproximação em torno do quarto mandato petista. Em entrevista ao jornal O Globo, o dirigente condicionou, no entanto, qualquer avanço nessa relação ao anúncio de medidas concretas na área econômica e a um aceno mais claro do governo aos partidos de centro.
“O governo já nos procurou desta vez, sim. Lula precisa ter uma postura para unir o país e aumentar o apoio, algo que não conseguiu no terceiro mandato. Se medidas econômicas forem adotadas, estaremos mais próximos, sim. Aí poderemos ter uma relação mais profunda”, declarou Kassab, cuja sigla ocupou três ministérios durante o Lula 3.
Palocci e Meirelles como referência para a equipe econômica
Kassab defendeu que o próximo governo precisa contar com uma equipe econômica forte, citando como modelo a dupla formada por Antonio Palocci e Henrique Meirelles no primeiro mandato de Lula, entre 2003 e 2006, período em que o ex-presidente buscou transmitir previsibilidade fiscal ao mercado financeiro. Segundo o dirigente do PSD, Lula precisará conciliar as promessas sociais feitas durante a campanha com medidas de contenção de gastos públicos.
“É preciso ter coragem para cortar gastos, subsídios e privilégios”, afirmou Kassab, que também defendeu a indicação de nomes fortes e com autonomia política para os ministérios do Planejamento e da Fazenda, de modo a dar segurança tanto para a execução de cortes orçamentários quanto para a relação com investidores.
PSD perdeu cadeiras no Congresso, mas ainda é peça relevante
O PSD teve desempenho abaixo do esperado nas eleições gerais deste ano, reduzindo sua bancada na Câmara dos Deputados de 48 para 43 parlamentares a partir de 2027, além de perder força no Senado, onde passará de 13 para apenas cinco cadeiras. Ainda assim, a legenda continuará entre as forças que o Palácio do Planalto precisará considerar nas negociações para formar base de apoio no Congresso Nacional, especialmente diante do crescimento da bancada do PL, partido do senador derrotado Flávio Bolsonaro.
Questionado sobre a possibilidade de retornar a um cargo ministerial no quarto mandato de Lula (ele já comandou o Ministério das Cidades no governo Dilma Rousseff e o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações na gestão Michel Temer), Kassab não descartou a hipótese: “Não está no meu horizonte. Mas é claro que é muito honroso ser e não descarto voltar mais uma vez.”
O dirigente também comentou o resultado eleitoral de Flávio Bolsonaro, atribuindo a derrota a erros de estratégia do próprio candidato de direita e à capacidade da campanha petista de explorar essas fragilidades. Para Kassab, o PSD optou por manter neutralidade na disputa presidencial e pretende usar essa postura como moeda de troca nas negociações futuras com o Planalto.
Com informações de Gazeta do Povo.
