Renault tira a Oroch de linha no Brasil

Renault tira a Oroch de linha no Brasil

A Renault confirmou que a picape Oroch, lançada em 2015, saiu de linha no Brasil. A produção na fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná, foi encerrada e as unidades remanescentes nas concessionárias são as últimas de um estoque que não será reposto, segundo confirmação do presidente da Renault do Brasil, Ariel Montenegro, durante evento da marca. No configurador oficial, a Oroch ainda aparece em três versões, com preços entre R$ 132.890 e R$ 147.690.

O fim da picape abre caminho para a chegada da Renault Niagara, modelo maior que estreia no país em novembro, com pré-venda prevista para o dia 10. Produzida na Argentina, a novata mira diretamente a Fiat Toro, atual líder do segmento de picapes intermediárias. As informações são do AutoPapo e do Notícias Automotivas.

A picape que abriu um segmento no Brasil

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Lançada originalmente como Duster Oroch, a picape derivada do SUV Duster foi pioneira no segmento das picapes intermediárias no mercado brasileiro, categoria posicionada entre as compactas, como a Fiat Strada, e as médias, como a Toyota Hilux. A Fiat Toro, que depois se tornaria líder isolada do segmento, só chegaria às concessionárias no ano seguinte ao lançamento da Oroch.

Em 2022, o modelo passou por uma reestilização que retirou o nome Duster da nomenclatura e introduziu um motor 1.3 turbo flex de até 170 cv, exclusivo da versão Outsider. Essa variante, no entanto, saiu de linha em janeiro de 2025, deixando a Oroch apenas com o motor 1.6 aspirado, já considerado defasado frente à concorrência mais recente. Ao longo de sua trajetória na América Latina, a picape somou mais de 270 mil unidades vendidas, de acordo com dados da própria Renault.

Apesar do volume histórico, a Oroch nunca conseguiu ameaçar a liderança de Fiat Strada e Volkswagen Saveiro no segmento de picapes leves, chegando a vender menos que a Chevrolet Montana, concorrente direta de porte semelhante. Nos últimos meses, o modelo se mantinha apenas no grupo intermediário do ranking de comerciais leves, sem força para romper o top 10 de vendas da categoria.

O que a Niagara traz de diferente

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Construída sobre a plataforma RGMP, a mesma utilizada pelos SUVs Kardian e Boreal, a Niagara tem 4,91 metros de comprimento (4,94 m na versão 4×4) e 2,96 metros de entre-eixos, medidas superiores aos 4,70 m e 2,83 m da Oroch. A caçamba cresce de 683 para 938 litros e ganha cobertura rígida retrátil, tampa traseira com acionamento elétrico e tomada de 12V, enquanto a capacidade de carga útil permanece praticamente igual, em 654 kg.

Sob o capô, a Niagara traz motor 1.3 turbo flex de injeção direta, com até 160 cv e 27,5 kgfm de torque. A versão de entrada vem com câmbio manual de seis marchas, enquanto as demais configurações utilizam transmissão automatizada de dupla embreagem, com opção de tração 4×4. Uma versão híbrida está prevista para chegar ao mercado brasileiro em 2027, segundo a Renault.

No pacote tecnológico, a versão mais completa do modelo argentino conta com painel de instrumentos digital de 10 polegadas e central multimídia de 10,1 polegadas com integração ao Google e à inteligência artificial Gemini. A picape soma ainda 26 assistentes de condução, entre eles frenagem automática de emergência, reforçando o movimento do setor automotivo de levar recursos antes restritos a SUVs premium para picapes de porte intermediário.

Reorganização da fábrica no Paraná

A saída de linha da Oroch também expõe uma reorganização mais ampla da produção da Renault no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais. Com o fim da picape leve e a confirmação de que a terceira geração do Duster será fabricada na Colômbia, a montadora perde dois produtos na planta paranaense, que deve passar a concentrar outros modelos da parceria com a chinesa Geely, além de um novo carro elétrico da marca francesa.

A decisão de abandonar o segmento de picapes leves para migrar para o de picapes médias representa uma aposta da Renault em brigar diretamente com a Fiat Toro, hoje a mais vendida da categoria intermediária no Brasil, em vez de seguir disputando um nicho menor e mais pulverizado entre Strada, Saveiro e Montana. Resta saber se o apelo de um modelo maior, com mais tecnologia embarcada e fabricação argentina, será suficiente para reverter o histórico de vendas discretas que marcou a trajetória da Oroch no país.

Informações: AutoPapo e Notícias Automotivas.

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