Abel Ferreira completa seis anos no comando do Palmeiras

Abel Ferreira completa seis anos no comando do Palmeiras

O técnico Abel Ferreira completou nesta quinta-feira seis anos à frente do Palmeiras, marca que o consagrou como o treinador mais vitorioso da história do clube paulista. O português chegou em outubro de 2020, vindo do PAOK, da Grécia, e desde então acumulou 11 títulos em 15 finais disputadas, um retrospecto que nenhum outro comandante brasileiro conseguiu igualar em tempo recente.

A comemoração veio pelas redes sociais. “Seis anos depois, sigo sentindo que não há nenhum outro lugar onde eu preferia estar”, escreveu Abel em publicação no Instagram, acompanhada de um vídeo com momentos marcantes de sua passagem verdeamarela. Ele fechou a mensagem com uma frase que resume o vínculo construído com a torcida: “Há seis anos, eu sou porque nós somos. Obrigado por tanto.”

O técnico tem contrato com o Palmeiras até dezembro de 2027 e vive, segundo o clube, seu momento de maior prestígio interno. A permanência nunca foi colocada em xeque nem nas fases de resultados ruins, muito por conta da relação de confiança construída com a presidente Leila Pereira e o diretor de futebol Anderson Barros, que sempre bancaram publicamente o treinador diante de pressões externas.

Uma coleção de títulos sem precedentes

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Abel Ferreira é hoje o único treinador da história do futebol brasileiro a conquistar, por um mesmo clube, a Copa Libertadores, o Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil, o Campeonato Paulista, a Recopa Sul-Americana e a Supercopa do Brasil. O título estadual mais recente, conquistado nesta temporada, foi o quarto Paulistão da era Abel e ajudou a consolidá-lo como o treinador com mais conquistas na história centenária do Palmeiras, superando o histórico Oswaldo Brandão.

Os números acumulados em seis anos impressionam pela regularidade: foram 459 partidas no comando técnico, sendo 413 delas efetivamente nos gramados (o restante cumprido sob suspensão ou outras ausências pontuais). O retrospecto é de 268 vitórias, 108 empates e apenas 83 derrotas, com 777 gols marcados contra 366 sofridos, uma média de aproveitamento que poucos técnicos no continente conseguem sustentar por tanto tempo à frente do mesmo projeto.

Para medir o tamanho da façanha, a reportagem da Vavel Brasil levantou que, desde que Abel assumiu o Palmeiras em 2020, os 20 clubes que disputam a Série A do Brasileirão já utilizaram cerca de 151 treinadores diferentes somados. Em um mercado conhecido pela rotatividade extrema de comandantes, a estabilidade alviverde é hoje a exceção que confirma a regra.

As críticas e a autoanálise do técnico

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Nem só de troféus se fez a trajetória. Abel Ferreira enfrentou críticas recorrentes por seu comportamento dentro de campo, especialmente nos embates com árbitros. Os números dão a dimensão do problema: em seis anos, o técnico já recebeu 104 cartões, entre amarelos e vermelhos, além de 15 expulsões, uma marca que colocou o temperamento do português no centro do debate entre torcedores e comentaristas esportivos.

O próprio treinador reconhece a dificuldade em se controlar durante as partidas, mas descreve o problema como algo pontual, restrito às quatro linhas. “Aquele cara não sou eu. Aquele é um cara que vai enchendo o copo d’água ao longo do tempo, e aos 60 da segunda parte, entra a gota e ele faz o que não devia fazer. Mas hei de melhorar”, afirmou em entrevista coletiva, citada pela Vavel Brasil.

Abel também já admitiu publicamente negligenciar o próprio bem-estar emocional em favor do cuidado com o elenco. “Cuido muito dos outros e pouco de mim. Preparo minha equipe técnica, tática e emocionalmente e não preparo a mim”, disse o treinador em entrevista ao ge, trecho reproduzido pela reportagem da Vavel. A fala expõe um lado menos público da rotina de um técnico que, apesar do sucesso, convive com o desgaste de uma gestão emocional intensa ao longo de seis temporadas seguidas no mesmo clube, algo raro no futebol sul-americano.

Temporada ainda pode render mais três títulos

A comemoração dos seis anos acontece em meio a uma reta final de temporada particularmente movimentada. O Palmeiras disputa ponto a ponto a liderança do Campeonato Brasileiro com o Flamengo, estando a três pontos do rival na tabela, segundo dados publicados pela Gazeta Esportiva. A equipe também está classificada para a final da Copa Libertadores, marcada para 28 de novembro contra o Estudiantes, e segue viva na semifinal da Copa do Brasil.

Se confirmar títulos nessas três frentes, Abel Ferreira pode encerrar 2026 com uma marca ainda mais distante de qualquer concorrente na história recente do futebol brasileiro. O técnico já havia comentado, em entrevista após vitória sobre o Athletico-PR, que a relação com a torcida costuma ficar mais fácil quando os resultados acompanham: “Quando estamos ganhando, a torcida ajuda. E depois eu mostro as cicatrizes que tenho aqui debaixo, mas todos somos um em todos os momentos. Não preciso dar recado. Estou aqui há seis anos, não escolho jogo para torcer, para dar meu melhor. Nem eu, nem meus jogadores. E à torcida digo a mesma coisa.”

Ao justificar a longevidade em um cargo historicamente instável no futebol brasileiro, Abel recorreu a uma metáfora sobre pertencimento que resume o momento vivido no Palmeiras. “Estou onde quero estar, onde gostam que eu esteja. Não há treinador no mundo que seja vencedor sem se juntar aos melhores, aos grandes clubes. Tenho um sentimento de muita gratidão. Sou português com orgulho, mas o Brasil, mas o Palmeiras são parte da minha vida e da minha história”, declarou o treinador.

Com informações de Vavel Brasil e Gazeta Esportiva.

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