Guarda civil morre após passar mal durante treinamento em SPPexels / Police Training Exercise

Guarda civil morre após passar mal durante treinamento em SP

O guarda civil metropolitano Fábio dos Santos, de 53 anos, morreu na manhã de segunda-feira, 2, após passar mal durante uma atividade de capacitação física na zona leste de São Paulo. Segundo nota da Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), ele participava de um treinamento quando relatou fortes dores nas costas, caiu e precisou de atendimento médico imediato no local.

Equipes de socorro foram acionadas rapidamente, mas Fábio não resistiu e morreu ainda durante o atendimento. A SSP-SP informou que a atividade fazia parte de uma capacitação voluntária oferecida pela Guarda Civil Metropolitana (GCM), modalidade que costuma reunir agentes interessados em reforçar o preparo físico fora da carga obrigatória de treinamento da corporação.

A corporação abriu procedimento interno para apurar as circunstâncias da morte e confirmar, com base em laudo médico, se o óbito teve relação direta com a atividade física realizada no momento do mal-estar. Colegas de trabalho descreveram Fábio como um agente dedicado, que participava com frequência de treinamentos extras por iniciativa própria.

O perfil da Guarda Civil Metropolitana em São Paulo

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A Guarda Civil Metropolitana de São Paulo é uma das maiores corporações municipais do país, com milhares de agentes distribuídos por bases regionais em toda a capital paulista. Além da fiscalização de posturas urbanas e da proteção de patrimônio público, a corporação atua de forma crescente em ações de policiamento comunitário e apoio a ocorrências de segurança pública, o que tem levado a um reforço progressivo nos protocolos de preparo físico exigidos dos agentes.

Treinamentos voluntários como o que Fábio participava no momento do mal-estar costumam incluir exercícios de resistência cardiovascular, simulações de abordagem e provas de agilidade, atividades consideradas de risco elevado para agentes de meia-idade sem acompanhamento médico constante durante a execução dos exercícios. Episódios de mal súbito durante atividades físicas de órgãos de segurança não são incomuns no país, e corporações de diferentes estados têm revisado protocolos de avaliação cardiológica prévia para agentes que participam de treinamentos de alta intensidade, sobretudo acima dos 45 anos de idade.

Protocolos de saúde ocupacional e reações da categoria

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Sindicatos que representam guardas civis municipais em São Paulo têm defendido, nos últimos anos, a ampliação de exames periódicos obrigatórios para agentes que atuam em funções de maior exigência física, incluindo avaliações cardiológicas anuais e testes de esforço específicos para quem participa de treinamentos voluntários de capacitação. A categoria argumenta que a natureza da função, que combina estresse operacional com exigências físicas crescentes, torna esse tipo de monitoramento uma medida preventiva essencial, e não apenas uma formalidade burocrática.

Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana informou que presta assistência à família de Fábio dos Santos e que vai colaborar com qualquer investigação aberta para esclarecer as circunstâncias do óbito. A corporação também afirmou que vai revisar os protocolos de acompanhamento médico das atividades físicas voluntárias oferecidas aos agentes, de forma a identificar eventuais falhas que possam ter contribuído para o desfecho fatal do treinamento realizado na zona leste da capital.

Colegas de corporação organizaram uma homenagem informal ao agente nas horas seguintes ao ocorrido, destacando o compromisso de Fábio com a função pública ao longo dos anos de serviço. A base regional onde ele atuava recebeu mensagens de apoio de outras unidades da Guarda Civil Metropolitana distribuídas pela capital paulista.

Repercussão e próximos passos

O caso reabriu o debate sobre a necessidade de equipes médicas de prontidão durante treinamentos físicos de corporações de segurança pública, independentemente de a atividade ser obrigatória ou voluntária. Especialistas em medicina do trabalho apontam que a presença de um profissional de saúde no local, equipado com desfibrilador portátil, pode fazer diferença crucial em casos de mal súbito cardiovascular durante exercícios de alta intensidade, reduzindo o tempo de resposta em situações de emergência.

A SSP-SP não informou se um profissional de saúde estava presente durante a atividade em que Fábio passou mal. A reportagem apurou que o laudo do Instituto Médico Legal (IML) deve apontar a causa exata do óbito nos próximos dias, o que ajudará a corporação a decidir sobre eventuais ajustes nos protocolos de segurança para os treinamentos voluntários oferecidos aos guardas civis municipais da capital.

Guardas municipais e o debate sobre saúde ocupacional no Brasil

Casos de agentes de segurança pública que sofrem mal súbito durante atividades físicas voltaram a ganhar atenção em diferentes estados nos últimos anos, levando corporações a revisar a frequência de exames cardiológicos exigidos de servidores acima dos 40 anos. Estudos de medicina do trabalho apontam que o estresse crônico associado à rotina de policiamento, somado a jornadas longas e irregulares, pode elevar o risco cardiovascular de agentes que, aparentemente, não apresentam sintomas prévios de doença.

Associações de classe têm defendido que o acompanhamento médico não deveria se limitar ao exame admissional e a avaliações esporádicas, propondo a adoção de protocolos de monitoramento contínuo semelhantes aos aplicados em corporações militares, que costumam incluir testes de esforço cardiovascular antes da liberação para atividades físicas de alta intensidade, sobretudo em treinamentos extras de caráter voluntário como o que antecedeu a morte de Fábio dos Santos.

A categoria também pede que o poder público amplie convênios com hospitais e clínicas especializadas em cardiologia esportiva, de forma a facilitar o acesso dos agentes a exames de rotina sem custos adicionais. Representantes sindicais afirmam que a prevenção é mais barata, em termos de saúde pública e de impacto social, do que lidar com episódios fatais que afetam diretamente famílias de servidores que, muitas vezes, são o principal sustento do lar.

Com informações de Jovem Pan.

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