PexelsCriminosos invadem prédio pelas janelas e furtam apartamentos em Higienópolis, em SP
A Polícia Civil de São Paulo investiga a invasão de três apartamentos de um condomínio na Rua Sabará, no bairro de Higienópolis, região central da capital paulista. Os imóveis foram furtados entre a noite de sábado, 31 de outubro, e a madrugada de domingo, 1º de novembro, em uma ação que chamou atenção pela forma de acesso utilizada pelos criminosos.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), os suspeitos utilizaram um estabelecimento comercial vizinho ao edifício para chegar até as janelas do prédio e, a partir daí, entrar nos apartamentos. De dentro dos imóveis, levaram joias, relógios, dinheiro e outros objetos de valor, segundo apurou o Grupo de Repressão a Roubos (Garra), do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope).
O caso é investigado pelo 77º Distrito Policial (Santa Cecília), com apoio da Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco). O Instituto de Criminalística (IC) foi acionado para realizar perícia no condomínio, e a polícia também solicitou exame papiloscópico para tentar identificar impressões digitais deixadas pelos envolvidos durante a ação.
Como o grupo escalou o prédio para furtar os apartamentos
De acordo com as primeiras apurações policiais, o grupo arrombou o estabelecimento comercial vizinho ao condomínio para obter acesso a uma área que permitisse a escalada até as janelas do edifício. A técnica de usar imóveis ou comércios vizinhos como ponto de apoio para alcançar andares superiores é um método recorrente em furtos a apartamentos de grandes centros urbanos, sobretudo em prédios antigos sem grades de proteção nas janelas laterais, como costuma ser o caso de edificações mais tradicionais do bairro de Higienópolis.
Higienópolis é um dos bairros mais valorizados da capital paulista, conhecido por seus edifícios residenciais históricos e por reunir moradores de alta renda, características que o tornam alvo frequente de ações criminosas voltadas ao furto de joias e objetos de valor. A região concentra também uma série de consultórios, escritórios e pequenos comércios, o que amplia as possibilidades de acesso lateral a prédios residenciais por meio de estruturas vizinhas, como ocorreu no caso investigado pelo 77º Distrito Policial.
Como moradores de prédios antigos podem reforçar a segurança
Especialistas em segurança patrimonial recomendam que condomínios residenciais localizados em bairros centrais, com edificações mais antigas, avaliem periodicamente a vulnerabilidade de janelas laterais e fundos que façam limite direto com imóveis vizinhos, especialmente comércios que fecham durante a noite e ficam sem monitoramento humano constante. A instalação de sensores de presença, câmeras adicionais nas áreas de acesso lateral e grades articuladas, que não comprometem a ventilação dos ambientes, costuma ser apontada como medida eficaz para reduzir esse tipo de vulnerabilidade.
A SSP-SP tem reforçado, em campanhas de prevenção direcionadas a síndicos e administradoras de condomínio, a importância de vistorias periódicas em pontos de acesso não convencionais, como lajes, muros divisórios e estruturas de prédios vizinhos que possam servir de apoio para escaladas. Levantamentos da própria secretaria indicam que furtos com entrada por janelas ou áreas de acesso lateral, sem arrombamento de portas principais, têm se tornado mais frequentes em bairros centrais de São Paulo nos últimos anos, acompanhando o movimento de valorização imobiliária de regiões como Higienópolis, Santa Cecília e Consolação.
Diligências em andamento
As investigações seguem em andamento para identificar os responsáveis pelos furtos. A perícia técnica realizada no condomínio deve fornecer elementos adicionais, como possíveis vestígios genéticos ou impressões digitais deixadas durante a escalada e a passagem pelas janelas dos apartamentos invadidos. A SSP-SP não informou se os três apartamentos pertenciam a moradores que estavam fora da cidade no momento da ação ou se havia algum padrão de monitoramento prévio dos imóveis por parte dos suspeitos.
Moradores do condomínio relataram preocupação com a repetição de casos semelhantes na região e cobraram da administração do prédio a instalação de câmeras extras nas áreas identificadas como vulneráveis após o episódio. A expectativa da polícia é que as imagens do estabelecimento comercial utilizado como rota de acesso possam ajudar a identificar os suspeitos nos próximos dias, já que comércios da região costumam manter sistemas de monitoramento interno que podem ter registrado parte da movimentação dos criminosos antes da escalada até o prédio vizinho.
Outros casos semelhantes na região central
Furtos com entrada por janelas, lajes ou estruturas vizinhas não são exclusividade do caso registrado em Higienópolis. Nos últimos anos, delegacias da região central de São Paulo registraram outras ocorrências com método parecido em bairros próximos, como Santa Cecília e Consolação, o que levou o Departamento de Operações Policiais Estratégicas a intensificar o monitoramento de quadrilhas especializadas nesse tipo de ação, muitas vezes formadas por integrantes com histórico de furto qualificado em outros estados.
A reportagem apurou que equipes do Garra já cruzam informações sobre o caso de Higienópolis com outros boletins de ocorrência recentes de bairros vizinhos, para verificar se há um padrão de atuação que sugira a participação do mesmo grupo em mais de um furto na região central da capital paulista ao longo das últimas semanas.
Administradoras de condomínio da região relataram que, após episódios como esse, passou a ser mais comum a contratação de empresas de segurança patrimonial especializadas em vistorias de vulnerabilidade estrutural, um serviço que avalia pontos de acesso não convencionais e sugere reformas pontuais para reduzir riscos sem comprometer a estética dos edifícios históricos, muitos deles tombados ou protegidos por legislação de preservação patrimonial no bairro de Higienópolis.
Com informações de Jovem Pan.
