CacobianchiMotorista infarta, morre ao volante e provoca acidente com 22 veículos na Via Dutra
Um motorista de ônibus morreu ao sofrer um infarto fulminante enquanto dirigia pela Rodovia Presidente Dutra, na manhã desta sexta-feira (30), em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Sem controle sobre a direção, o coletivo atingiu outros 21 veículos, deixando dez pessoas feridas, duas delas em estado moderado. O acidente ocorreu por volta das 6h, na pista lateral em direção ao Rio de Janeiro, nas proximidades da Casa do Alemão.
O ônibus, da empresa Kharisma Turismo, seguia para o bairro da Penha, na Zona Norte da capital fluminense, quando o motorista passou mal ao volante. Segundo apurou o portal G1, ele teria sofrido um infarto fulminante e perdido o controle do veículo. No trajeto até parar, o coletivo atingiu 15 carros, quatro outros ônibus, uma carreta e um caminhão de pequeno porte, só sendo contido ao colidir contra um muro, aproximadamente 500 metros depois do início da sequência de colisões. Apesar da gravidade do engavetamento, nenhum passageiro que estava a bordo do coletivo envolvido no mal súbito sofreu ferimentos.
Equipes do Corpo de Bombeiros de cinco quartéis da região foram mobilizadas para atender à ocorrência. Ao menos dez pessoas ficaram feridas, sendo duas com lesões consideradas moderadas; cinco das vítimas foram levadas ao Hospital Geral de Nova Iguaçu, sem registro de pacientes em estado grave entre os transferidos para a unidade.
O impacto no trânsito e a rotina de uma das rodovias mais movimentadas do país
A Via Dutra liga as duas maiores regiões metropolitanas do país, Rio de Janeiro e São Paulo, e é administrada por concessão desde 2021, após mais de quatro décadas sob gestão federal direta. Por sua extensão de aproximadamente 400 quilômetros e pelo volume de caminhões de carga que cruzam diariamente o eixo Rio-São Paulo, a rodovia figura com frequência entre as vias com maior número de acidentes registrados pela Polícia Rodoviária Federal no estado do Rio de Janeiro, sobretudo nos trechos urbanos que cortam a Baixada Fluminense, área de alta densidade de tráfego e cruzamentos com vias municipais.
O acidente desta sexta-feira provocou a interdição da pista lateral no sentido Rio de Janeiro, sem previsão inicial de liberação, enquanto as faixas centrais da rodovia permaneceram abertas ao tráfego. Ainda assim, o bloqueio parcial gerou cerca de 12 quilômetros de congestionamento na região, obrigando passageiros de outros ônibus presos no trânsito a descer dos veículos e seguir a pé pela rodovia até conseguirem contornar o local da ocorrência.
Mal súbito ao volante: um risco que vem preocupando autoridades de trânsito
Casos de motoristas profissionais que sofrem infarto ou outros problemas cardíacos enquanto dirigem têm levantado debate recorrente entre autoridades de trânsito e entidades médicas sobre a necessidade de exames periódicos mais rigorosos para condutores de transporte coletivo e de cargas, categoria que no Brasil é obrigada a renovar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e passar por exames toxicológicos e médicos em intervalos que variam conforme a idade do motorista, sendo mais frequentes a partir dos 50 anos e mais ainda a partir dos 70. Médicos cardiologistas costumam apontar que o infarto fulminante, por sua natureza súbita, é de difícil previsão mesmo com exames de rotina em dia, o que reforça a importância de dispositivos de segurança veicular, como freios automáticos de emergência, capazes de reduzir o impacto quando o condutor perde a capacidade de reagir.
Episódios como o da Via Dutra também costumam reabrir a discussão sobre a jornada de trabalho de motoristas profissionais no transporte coletivo e de turismo, setor em que o cansaço acumulado é apontado por sindicatos da categoria como fator de risco adicional à saúde cardiovascular dos profissionais, ainda que, neste caso específico, as informações preliminares das equipes de resgate apontem exclusivamente para um mal súbito sem relação identificada com fadiga ao volante.
Outros acidentes recentes reforçam a atenção com o transporte coletivo
O episódio na Via Dutra se soma a uma série de acidentes graves envolvendo ônibus registrados no país ao longo do ano, episódios que, somados, têm mantido o tema da segurança no transporte coletivo em evidência nos órgãos reguladores estaduais. Em maio, um ônibus perdeu o controle e atingiu um sobrado na zona sul de São Paulo, deixando oito feridos; em outro episódio, um ônibus de turismo caiu em um vão de viaduto na região de Campinas, ferindo mais de 31 passageiros. Ainda que as causas de cada ocorrência sejam distintas, concessionárias de rodovias e empresas de transporte costumam reforçar, após episódios como o da Via Dutra, treinamentos de reação rápida para os próprios motoristas em caso de mal súbito, incluindo o acionamento imediato do freio de emergência e dos sinais de alerta antes de perder totalmente o controle do veículo, prática que especialistas em segurança viária apontam como capaz de reduzir a extensão de acidentes em cadeia como o registrado nesta sexta-feira na Baixada Fluminense.
A concessionária responsável pela Via Dutra no trecho também costuma reforçar, após ocorrências de grande porte como essa, o uso de equipes de pronta resposta posicionadas em pontos estratégicos da rodovia, o que ajuda a reduzir o tempo entre o acidente e o início do atendimento às vítimas, fator considerado decisivo em ocorrências com múltiplos feridos como a registrada nesta sexta-feira em São João de Meriti.
A Polícia Rodoviária Federal costuma reforçar, em casos como esse, que a perícia leva alguns dias para concluir o laudo técnico completo sobre a dinâmica do acidente, mas que o relato das equipes de resgate no local, baseado em testemunhas e nas primeiras evidências, já indica o mal súbito do motorista como causa inicial da sequência de colisões na rodovia.
Com informações da Jovem Pan.
