Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)Chilli Beans pede recuperação extrajudicial
A Chilli Beans, rede brasileira de óculos e acessórios fundada pelo empresário Caito Maia, protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar uma dívida financeira de R$ 340 milhões. O movimento, formalizado nos últimos dias de outubro, ocorre em um contexto de dificuldades generalizadas no varejo nacional e reforça a lista de empresas que têm recorrido a mecanismos de reestruturação de dívida em 2026.
Segundo a companhia, o plano foi construído em conjunto com os principais credores e prevê a entrada de até R$ 50 milhões em novos recursos, disponibilizados pelos próprios bancos e fundos envolvidos na negociação. A renegociação está restrita às obrigações financeiras da empresa com instituições bancárias, não afetando compromissos com fornecedores, funcionários e demais parceiros comerciais da marca.
Juros altos e inadimplência de franqueados pressionaram o caixa
Em depoimentos públicos, Caito Maia atribuiu o acúmulo da dívida a uma combinação de fatores que pesaram sobre o fluxo de caixa da empresa nos últimos anos. Segundo o fundador, o aumento expressivo das taxas de juros no Brasil encareceu tanto o crédito dos franqueados quanto a própria dívida corporativa da companhia, criando um efeito cumulativo sobre as finanças do grupo.
O empresário também citou o salto da inadimplência entre franqueados como segundo fator determinante: o índice, que historicamente rondava os 3%, chegou a cerca de 22% no período pós-pandemia, de acordo com Maia. Atualmente, segundo ele, esse percentual já teria recuado para a faixa dos 4%, o que, somado à retomada das vendas, sustentaria a expectativa de recuperação da marca nos próximos trimestres.
Itaú, Akron e Vega Asset coordenam reestruturação
A operação reúne como financiadores âncoras o banco Itaú e os fundos Akron Capital e Vega Asset, responsáveis por coordenar a entrada dos novos recursos na companhia. Para Felipe Casotti, sócio da Akron Capital, a renegociação deve permitir à Chilli Beans adequar sua estrutura de capital à realidade atual do negócio, concentrando esforços na operação e fortalecendo a relação com franqueados e fornecedores.
Apesar da reestruturação, a marca mantém planos de expansão: possui hoje cerca de 900 franquias no Brasil e presença em mais de 14 países, incluindo operações recentes nos Estados Unidos e no Caribe. Somente em outubro de 2026, a companhia abriu nove novos pontos de venda no mercado brasileiro e outras quatro unidades na América do Sul. O faturamento da empresa havia crescido de R$ 890 milhões em 2023 para R$ 1 bilhão em 2025, mas a projeção para 2026 é de queda de cerca de 6%, para aproximadamente R$ 940 milhões, reflexo direto do cenário de juros elevados e retração do consumo que afeta diversos setores do varejo brasileiro neste momento.
Com informações de O Antagonista.
