
Trump pede que votos de homônimo sejam dados a republicano no Alasca
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta quinta-feira (5) que todos os votos recebidos por um candidato independente e por uma concorrente democrata sejam somados aos do republicano Dan Sullivan, que tenta se reeleger para o Senado americano pelo Alasca. A disputa é uma das últimas ainda não decididas das eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3) nos Estados Unidos.
Segundo a agência Associated Press, com 74% dos votos apurados até a publicação da Gazeta do Povo, a democrata Mary Peltola liderava a contagem com cerca de 103 mil votos, com Sullivan logo atrás, a uma diferença de aproximadamente 600 votos. Um terceiro candidato, que concorre de forma independente e tem o mesmo nome do republicano, Dan Sullivan, somava apenas 3,6 mil votos.
O que Trump pediu nas redes sociais
Na rede social Truth Social, Trump defendeu que a soma dos votos do candidato homônimo e da concorrente democrata deveria ser automaticamente direcionada ao republicano titular da cadeira. “O total de votos obtidos pelo falso Dan Sullivan, mais os daquela outra ‘lesma’ que os democratas incluíram na cédula, deveriam ser imediatamente atribuídos ao Dan Sullivan VERDADEIRO; assim, a eleição estaria encerrada, ele venceria com facilidade. Não existe outra solução justa”, escreveu o presidente.
A fala de Trump não é um pedido isolado. Em outubro, ainda antes da votação, a gestão do presidente já havia apresentado uma ação judicial pedindo a suspensão da certificação do resultado da eleição no Alasca caso Peltola viesse a vencer a disputa, numa tentativa preventiva de judicializar o pleito.
A tese da confusão eleitoral
O argumento central da Casa Branca é que a presença de dois candidatos com o nome Dan Sullivan na mesma cédula teria causado confusão entre os eleitores republicanos do Alasca, favorecendo artificialmente a candidata democrata. Na semana anterior à eleição, o governador do Alasca, o republicano Mike Dunleavy, chegou a anunciar uma investigação sobre a campanha de Peltola depois que o jornal The New York Times publicou uma reportagem citando supostas mensagens internas da campanha democrata discutindo a possibilidade de recrutar homônimos de candidatos republicanos para concorrer, estratégia que teria resultado no registro do independente de mesmo nome.
A equipe de campanha de Peltola negou qualquer irregularidade e afirmou que o candidato independente se registrou de forma espontânea, sem qualquer coordenação com a candidata democrata. O Departamento de Justiça da gestão Trump também abriu uma apuração própria sobre o episódio, segundo informações da imprensa americana.
Por que o resultado no Alasca já não muda o quadro geral
Mesmo que os tribunais ou a Justiça eleitoral do Alasca decidam a favor da tese defendida por Trump e Sullivan termine reeleito, o resultado prático sobre o equilíbrio de forças no Congresso americano já está definido: tanto o Senado quanto a Câmara dos Representantes passarão a ser controlados pela oposição democrata a partir de janeiro de 2027.
Considerando as cadeiras que estavam em disputa nesta terça-feira e as que não estavam, os democratas garantiram pelo menos 54 das 100 cadeiras do Senado americano. Os republicanos somam hoje 44 cadeiras confirmadas. Além da disputa do Alasca, a apuração para uma vaga no Senado pelo Mississippi também ainda não teve um vencedor definido pelas autoridades eleitorais americanas.
O recado de Trump à própria base
A insistência do presidente em contestar o resultado específico do Alasca, mesmo sem impacto na maioria geral do Senado, é lida por analistas como um gesto político voltado à própria base eleitoral, num momento em que lideranças do Partido Republicano já pressionam Trump por uma mudança de rumo depois da derrota nas urnas. Horas antes de comentar o caso do Alasca, o presidente já havia se dito “disposto” a aceitar o resultado geral das eleições de meio de mandato, atribuindo parte da derrota republicana a erros da própria legenda, e não a fraudes.
O episódio do Alasca, ainda que estatisticamente irrelevante para o controle do Senado, deve seguir como um dos pontos de atrito entre a Casa Branca e a Justiça eleitoral americana nas próximas semanas, enquanto os votos continuam sendo apurados e eventuais contestações judiciais tramitam nos tribunais do estado.
Com informações da Gazeta do Povo.
