Trump chama eleição brasileira de vergonha e confirma que Lula pediu neutralidadeFoto oficial da Casa Branca (domínio público)

Trump chama eleição brasileira de vergonha e confirma que Lula pediu neutralidade

Donald Trump voltou a criticar o processo eleitoral brasileiro nesta quinta-feira (29), um dia depois de Flávio Bolsonaro desembarcar em Miami com visto humanitário. Questionado por jornalistas se reconhece a vitória de Lula no segundo turno de domingo, o presidente americano evitou confirmar: “Vou falar com ele, mas acho que a eleição foi uma vergonha no Brasil.”

O que chamou atenção na fala de Trump não foi só o adjetivo. Foi a revelação de que o próprio Lula pediu a ele, pessoalmente, para não se meter na disputa:

“Acompanhei o processo eleitoral. Não tomei partido. Deixei as coisas seguirem seu curso. O presidente me pediu para não tomar partido. E eu não tomei. Mas, quando assisti ao que aconteceu, foi uma desgraça.”

Para sustentar a crítica, Trump recorreu à bolsa de valores: “O mercado diz tudo, basta dar uma olhada. O mercado deles caiu pelo chão.” Perguntado diretamente sobre quem considera o vencedor legítimo, preferiu não se posicionar: “Não quero comentar isso agora.”

O que aconteceu na bolsa

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Trump não estava exagerando sobre o mercado. Na segunda-feira seguinte ao segundo turno, o Ibovespa chegou a cair 17,34% no pior momento do dia e fechou com perda de 13,88%, aos 176.608 pontos. Foi a maior queda em um único pregão desde março de 2020, no início da pandemia. O dólar subiu 8,35%, fechando acima de R$ 5,40, a maior alta diária em 23 anos.

A reação acionou o circuit breaker da B3 pela primeira vez desde 2020, e a bolsa teve que ampliar os limites de oscilação dos contratos futuros, que foram de -10% para -20% ao longo do dia. Entre as ações mais afetadas, a Magazine Luiza liderou as perdas com queda de 58%, seguida por Vamos (-56,79%) e Hapvida (-54,93%), empresas ligadas ao consumo interno. Nenhuma eleição dos últimos 24 anos tinha provocado reação tão forte: nem mesmo 2002 ou 2022, as outras duas vitórias de Lula.

O pano de fundo: a saída de Flávio

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As declarações de Trump vêm no mesmo contexto da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, horas depois de uma ordem sigilosa do ministro Alexandre de Moraes para retenção de seus passaportes (leia a matéria completa sobre o caso). Na quarta-feira, o senador embarcou para Miami e recebeu dos Estados Unidos um visto humanitário com permanência autorizada de um ano, concedido também à mulher e aos filhos. A própria Polícia Federal já esclareceu que a viagem não configura fuga.

Horas depois de desembarcar, Flávio divulgou uma carta aberta com um brasão estampado “Estados Unidos do Brazil” em que se autoproclamava “presidente legítimo” do país. A repercussão negativa foi rápida, e ele publicou uma segunda versão do texto horas depois, trocando o termo para “líder do Brasil” e se comparando a opositores como María Corina Machado, da Venezuela, e Juan Guaidó. Disse que vai “liderar a oposição” a partir dos Estados Unidos.

Trump confirmou ter autorizado a entrada da família no país, mas evitou endossar a tese do senador: “Não vou comentar sobre isso. Mas eu sei que nós demos autorização para entrar no país. Então, vamos ver. Mas não vou me envolver.” Mesmo assim, deixou claro de que lado está: “Eu achei que ele e sua família foram tratados injustamente.”

Trump é aliado histórico da família Bolsonaro desde o governo Jair Bolsonaro, e a fala de hoje é a segunda vez em dois dias que ele comenta a situação do senador nos Estados Unidos.

Com informações de O Antagonista, Jovem Pan e Gazeta do Povo.

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