Temporais com ventos de 109 km/h deixam rastros de destruição no ParanáPexels / Rodolfo Gaion

Temporais com ventos de 109 km/h deixam rastros de destruição no Paraná

Uma sequência de fortes tempestades atingiu 21 municípios do Paraná entre a tarde de domingo, 1º, e a madrugada de segunda-feira, 2, deixando um rastro de destruição em cidades do norte e do centro-sul do estado. Segundo boletim da Defesa Civil estadual, cerca de 4 mil pessoas foram diretamente impactadas pelos temporais, que derrubaram árvores, destelharam residências e deixaram milhares de imóveis sem energia elétrica.

Ao menos 456 residências sofreram danos em diferentes graus, uma foi totalmente destruída e 28 moradores precisaram ser encaminhados a abrigos temporários. As cidades de Maringá, na região norte, e Marquinho, no centro-sul paranaense, figuram entre as mais prejudicadas pela instabilidade atmosférica.

Em Altônia, no noroeste do estado, rajadas de vento chegaram a 109,1 quilômetros por hora, segundo medições do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). Já o maior volume de chuva foi registrado em Assis Chateaubriand, no oeste paranaense, com acumulado de 91 milímetros em poucas horas.

Granizo, quartéis destelhados e cidades no escuro

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Em Marquinho, a tempestade foi acompanhada por intensa queda de granizo, que perfurou telhados de residências, estabelecimentos comerciais, escolas e unidades de saúde. Segundo dados repassados pela administração municipal, cerca de 70 por cento da área urbana da cidade registrou algum tipo de prejuízo material, o que levou a um apagão generalizado que deixou praticamente todo o município sem luz por horas.

Em Maringá, os ventos atingiram 96,3 quilômetros por hora e provocaram a queda da cobertura do quartel do Corpo de Bombeiros, além de 363 ocorrências de árvores derrubadas registradas somente no município. A administração local suspendeu as aulas em cinco escolas municipais que tiveram estruturas danificadas pelo temporal, medida que afetou diretamente centenas de alunos na rede de ensino, enquanto equipes de limpeza urbana trabalhavam para liberar vias bloqueadas pela queda de árvores.

A Companhia Paranaense de Energia (Copel) informou que, até a tarde de segunda-feira, mais de 113 mil imóveis permaneciam sem fornecimento de energia elétrica em diferentes pontos do estado, com equipes extras mobilizadas para acelerar o restabelecimento do serviço nas regiões mais afetadas.

Uma frente de instabilidade que atingiu todo o sul do país

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O fenômeno não ficou restrito ao Paraná. De acordo com levantamentos meteorológicos da Região Sul, o início de novembro foi marcado pela chegada de uma massa de ar quente sobre o território brasileiro, que se chocou com uma frente fria e gerou temporais severos em praticamente todos os estados da região. Santa Catarina chegou a registrar mais de 70 mil imóveis sem energia elétrica em razão dos mesmos sistemas de instabilidade, enquanto o Rio Grande do Sul enfrentou vendavais que causaram transtornos no trânsito de rodovias estaduais.

O choque entre as massas de ar quente e fria é um padrão meteorológico recorrente na transição entre a primavera e o verão no sul do Brasil, período em que o solo mais aquecido favorece a formação de nuvens de tempestade de grande desenvolvimento vertical, as chamadas cumulonimbus, responsáveis pelos episódios mais intensos de granizo e vendaval. Meteorologistas apontam que a combinação de calor intenso durante o dia com entrada de ar mais frio à noite tende a intensificar a instabilidade, o que ajuda a explicar a extensão dos danos registrados em um período de pouco mais de 24 horas.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantinha, até a manhã de terça-feira, dois alertas de tempestade vigentes para o Paraná, com risco de nova queda de granizo e ventos de até 100 quilômetros por hora em parte do estado. Segundo o Simepar, a tendência para os dias seguintes era de redução gradual da instabilidade, embora a região oeste do Paraná ainda pudesse registrar chuvas fortes pontuais em razão da combinação entre calor e umidade acumulada na atmosfera.

Impacto econômico e resposta das prefeituras

Além dos danos estruturais, o temporal gerou prejuízos econômicos relevantes para pequenos comércios e produtores rurais das regiões afetadas, que relataram perdas em plantações e em estruturas de armazenamento atingidas pelo vento e pelo granizo. Prefeituras da região já começaram a levantar o volume de danos para solicitar reconhecimento de situação de emergência ao governo estadual, etapa necessária para liberar recursos extraordinários de reconstrução.

A Defesa Civil estadual informou que equipes técnicas seguem percorrendo os municípios mais atingidos para avaliar a extensão dos estragos e orientar famílias desalojadas. O órgão também reforçou recomendações de segurança à população, como evitar áreas com fios elétricos expostos e não se aproximar de árvores com risco de queda enquanto os ventos fortes ainda não cessarem completamente em toda a região.

Histórico de eventos extremos no estado

O Paraná tem registrado nos últimos anos uma frequência crescente de eventos climáticos extremos durante a primavera, período que historicamente concentra os temporais mais severos do calendário meteorológico estadual. Pesquisadores que acompanham o comportamento do clima na região apontam que o aumento da temperatura média global tem contribuído para tornar esses episódios mais intensos, ainda que a ocorrência de tempestades de granizo e vendaval em novembro não seja, por si só, um fenômeno inédito para o estado.

Moradores de Marquinho relataram que não havia memória recente de um temporal de granizo com a intensidade do registrado neste início de mês, o que motivou a prefeitura a buscar apoio técnico de municípios vizinhos para acelerar o atendimento a famílias com telhados destruídos. Em Maringá, o comércio local também relatou perdas, com vitrines quebradas e mercadorias danificadas pela chuva que invadiu estabelecimentos durante o temporal mais intenso, por volta da madrugada de segunda-feira.

Com informações de Jovem Pan e Estadão Conteúdo.

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