Renault Oroch sai de linha e abre espaço para a Niagara, que estreia em novembroDivulgação Renault

Renault Oroch sai de linha e abre espaço para a Niagara, que estreia em novembro

A Renault Oroch já não é mais fabricada. As unidades que ainda restam nas concessionárias são as últimas de um estoque que não será reposto, segundo confirmou ao AutoPapo o presidente da Renault do Brasil, Ariel Montenegro, durante um evento da marca nesta semana. A produção da picape na fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná, já foi encerrada, e a montadora agora vende apenas as unidades remanescentes, disponíveis em três versões, de R$ 132.890 a R$ 147.690 no configurador oficial da marca.

A saída de cena da Oroch abre caminho para a Renault Niagara, nova picape intermediária que estreia no Brasil em novembro, com pré-venda prevista para o dia 10. Produzida na Argentina, a Niagara mira diretamente a Fiat Toro, atual líder do segmento de picapes intermediárias no país, categoria que fica entre as compactas, como a Fiat Strada, e as médias, como a Toyota Hilux.

A trajetória da Oroch como pioneira das picapes intermediárias no Brasil

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Lançada em 2015 como Duster Oroch, a picape derivada do SUV Duster foi a precursora das picapes intermediárias no mercado brasileiro, categoria que só ganharia um concorrente de peso no ano seguinte, com a chegada da Fiat Toro. Em 2022, uma reestilização retirou o nome Duster do modelo e trouxe o motor 1.3 turbo flex com até 170 cv e 27,5 kgfm, exclusivo da versão Outsider, que prometia desempenho mais próximo dos rivais médios.

Essa versão turbo, porém, saiu de linha em janeiro de 2025, e a Oroch ficou apenas com o veterano motor 1.6 aspirado até o fim da produção. Segundo números da própria Renault, a picape somou mais de 270 mil unidades vendidas em toda a América Latina ao longo dos dez anos de carreira, consolidando o nome como uma referência de segmento mesmo sem nunca ter liderado as vendas da categoria no Brasil.

O que a Niagara traz de novo em relação à Oroch

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Construída sobre a plataforma RGMP, a mesma usada pelos SUVs Kardian e Boreal da marca, a Niagara tem 4,91 m de comprimento na versão 4×2 e 4,94 m na 4×4, com entre-eixos de 2,96 m, dimensões bem acima dos 4,70 m de comprimento e 2,83 m de entre-eixos da Oroch. O crescimento físico se reflete direto na caçamba, que passa de 683 litros para 938 litros, além de ganhar cobertura rígida retrátil, tampa traseira com acionamento elétrico e tomada de 12 volts para equipamentos externos. A carga útil, de 654 kg, fica praticamente no mesmo nível da antecessora.

Sob o capô, a Niagara estreia um motor 1.3 turbo flex de injeção direta com até 160 cv e 27,5 kgfm de torque, acoplado a câmbio manual de seis marchas na versão de entrada ou câmbio automatizado de dupla embreagem nas demais configurações, com opção de tração 4×4 disponível. Na cabine, a versão mais completa traz painel digital de 10 polegadas e central multimídia de 10,1 polegadas com integração ao Google e à inteligência artificial Gemini, recursos que a Oroch nunca chegou a oferecer em toda sua trajetória comercial.

A lista de assistentes de condução também cresce de forma expressiva: são 26 sistemas Adas ao todo, incluindo frenagem automática de emergência, e o banco traseiro ganha encosto reclinável em até 25 graus, pensado para viagens mais longas com passageiros atrás. Uma versão híbrida da Niagara já está prevista para 2027, o que deve ampliar ainda mais a distância tecnológica em relação à picape que ela substitui.

O que a chegada da Niagara significa para a disputa das picapes intermediárias

A Fiat Toro lidera o segmento de picapes intermediárias no Brasil desde que chegou ao mercado, em 2016, um ano depois do lançamento da então Duster Oroch. Ao longo desses anos, a categoria ganhou força justamente por ocupar um espaço entre as picapes compactas, voltadas a um uso mais urbano e de carga leve, e as picapes médias, como Toyota Hilux e Ford Ranger, que priorizam robustez e capacidade de carga em detrimento do conforto do dia a dia.

A saída da Oroch sem substituta direta por um período, até a chegada efetiva da Niagara em novembro, deixa a Toro momentaneamente sem a concorrente mais antiga do segmento, mas a entrada da Niagara, com motor mais potente, caçamba maior e lista de equipamentos bem mais ampla do que a picape que ela substitui, sinaliza que a Renault pretende disputar a liderança da categoria de forma mais agressiva do que conseguiu com a Oroch ao longo de toda a sua trajetória comercial no Brasil.

A fabricação na Argentina, e não mais no Paraná, também chama atenção dentro da estratégia regional da Renault para picapes, movimento que acompanha decisões parecidas de outras marcas no Mercosul, buscando concentrar determinadas linhas de produção em uma única planta para ganhar escala e reduzir custo unitário, mesmo quando isso significa importar o produto final para o Brasil em vez de fabricá-lo localmente.

Com informações do AutoPapo.

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