Novo remédio supera o Ozempic em estudo

Novo remédio supera o Ozempic em estudo

Um novo remédio injetável desenvolvido pela farmacêutica americana Eli Lilly mostrou resultados superiores ao Ozempic em um estudo direto com pacientes de diabetes tipo 2, segundo dados divulgados pela própria empresa e publicados pelo jornal O Globo. A substância, chamada retatrutida, promoveu uma perda de peso mais que duas vezes maior do que a observada com a dose mais alta aprovada de Ozempic, além de um controle de glicose ligeiramente melhor ao longo do estudo.

O ensaio clínico, batizado de TRANSCEND-T2D-2, reuniu 1.298 adultos com diabetes tipo 2 divididos em três grupos. Um grupo recebeu Ozempic na dose de 2 mg, a mais alta já aprovada para tratar a doença. Os outros dois grupos receberam retatrutida, nas dosagens de 9 mg ou 12 mg, ambas também aplicadas uma vez por semana por injeção. Depois de 80 semanas de acompanhamento, pesquisadores mediram tanto a hemoglobina glicada, indicador do controle de açúcar no sangue, quanto a variação de peso dos participantes.

Diferença de peso chegou a mais do dobro

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Segundo o O Globo, a perda de peso média entre os pacientes que receberam a dose mais alta de retatrutida foi de 20,9%, contra 9,4% no grupo tratado com Ozempic. Na dose intermediária de 9 mg, a retatrutida ainda assim levou a uma redução média de 19,5% do peso corporal, bem acima do resultado obtido pelo concorrente da Novo Nordisk. Em termos absolutos, segundo a cobertura internacional da Reuters, os pacientes perderam até 21,5 quilos com a dose mais alta de retatrutida, contra cerca de 9,5 quilos no grupo que usou Ozempic.

O controle da glicemia também favoreceu o novo medicamento, embora com margem menor: a hemoglobina glicada caiu em média 2,2% nos dois grupos de retatrutida, contra 1,8% no grupo de Ozempic. Apesar da vantagem em eficácia, o estudo também registrou taxas mais altas de abandono do tratamento por efeitos adversos entre quem usou retatrutida (4,8% na dose de 9 mg e 7,9% na de 12 mg) do que entre os pacientes de Ozempic (2,7%), um ponto que especialistas destacam como relevante para a avaliação final do remédio pelas agências regulatórias.

Por que a retatrutida é chamada de “triplo agonista”

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A retatrutida pertence a uma nova geração de medicamentos contra obesidade e diabetes conhecida como “triplo agonista” ou “triple-G”. Diferente do Ozempic, que atua apenas sobre o receptor do hormônio GLP-1, a retatrutida ativa simultaneamente três alvos hormonais: GLP-1, GIP e glucagon. A combinação busca somar efeitos de saciedade, controle de glicose no sangue e aumento do gasto calórico, o que explica a diferença de desempenho observada nos testes clínicos mais recentes.

A substância já havia chamado atenção em maio, quando a Eli Lilly divulgou dados de outro estudo de fase 3, batizado de TRIUMPH-1, conduzido com pacientes obesos ou com sobrepeso associado a outras condições de saúde. Nesse teste, pacientes que usaram a dose mais alta da retatrutida perderam, em média, 28,3% do peso corporal após 80 semanas, um resultado próximo ao obtido com cirurgia bariátrica em alguns protocolos. Para efeito de comparação, o Mounjaro, outro medicamento da própria Eli Lilly já disponível no Brasil, havia levado a uma perda média de 20,9% do peso em 72 semanas no estudo SURMOUNT-1.

Remédio ainda não está disponível e depende de aprovação

Apesar dos resultados favoráveis, a retatrutida ainda está em fase final de testes e não foi submetida à aprovação de nenhuma agência regulatória, incluindo a Anvisa no Brasil. Segundo a farmacêutica, os dados completos do estudo TRANSCEND-T2D-2 ainda serão apresentados em congresso médico e publicados em revista científica revisada por pares antes de qualquer pedido formal de registro. Isso significa que o medicamento não pode ser comercializado nem prescrito no país por enquanto, apesar do interesse crescente do mercado por opções mais potentes de tratamento contra obesidade e diabetes tipo 2.

Kenneth Custer, executivo da área de saúde cardiometabólica da Eli Lilly, afirmou que a empresa acredita que a retatrutida, se aprovada, pode “mudar o padrão de tratamento” para pacientes com diabetes tipo 2, obesidade e condições cardiometabólicas associadas. O mercado de canetas emagrecedoras já movimenta cifras bilionárias globalmente, impulsionado pela demanda crescente por soluções farmacológicas para obesidade, e a chegada de um concorrente mais eficaz tende a intensificar a disputa entre Eli Lilly e Novo Nordisk nos próximos anos, inclusive no Brasil, onde o Ozempic e o Mounjaro já disputam espaço nas prescrições médicas.

Com informações de O Globo.

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