Mercado eleva projeções de juros e inflação no primeiro Focus após reeleição de LulaWikimedia Commons (CC BY 2.0)

Mercado eleva projeções de juros e inflação no primeiro Focus após reeleição de Lula

O primeiro boletim Focus divulgado nesta terça-feira (3) após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mostrou piora nas expectativas do mercado financeiro para a inflação e os juros nos próximos anos. A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2027 subiu de 4,34% para 4,76%, superando o teto da meta de inflação, fixada em 3% com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

A piora não ficou restrita ao curto prazo. Os participantes do levantamento do Banco Central também elevaram a projeção de inflação para 2029, de 3,50% para 3,98%. Ao mesmo tempo, o mercado desfez as apostas em uma queda mais acelerada da taxa básica de juros: a estimativa para a Selic no fim de 2027 subiu de 11,75% para 12,50%, e a de 2028 avançou de 10% para 11%.

Dívida pública também preocupa

ESPAÇO PUBLICITÁRIO 336x280 (após o 1º subtítulo)

O relatório também mostrou piora na projeção da dívida líquida do setor público em relação ao PIB. Para 2028, a estimativa passou de 76,60% para 77,20%. Para 2029, de 79,13% para 79,69%. As comparações usam como referência o Focus anterior, com dados até 23 de outubro, última sexta-feira antes do segundo turno, confrontados com o levantamento atual, que incorpora as expectativas registradas até 30 de outubro, já sob o resultado da reeleição.

O resultado ganha outra camada de disputa diante de uma proposta do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, para mudar a forma como a taxa básica de juros é definida no Brasil. Lara Resende defende a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional e uma faixa para a Selic entre 3% e cerca de 5,5% em condições normais, com uma fase de transição que levaria a taxa a aproximadamente 7,5% em cerca de 12 meses.

A proposta chama atenção justamente pelo contraste: enquanto o mercado agora projeta uma Selic de 12,5% ao fim de 2027, a trajetória defendida por Lara Resende levaria a taxa a menos da metade desse patamar no mesmo horizonte. Para o economista, os juros elevados seriam um dos principais responsáveis pelo crescimento do custo da dívida pública brasileira, exatamente o indicador que também piorou no boletim desta terça-feira.

Com informações de Gazeta do Povo.

CATEGORIAS
Compartilhar

COMENTÁRIOS