IBGE: desemprego cai para 5,2% no Brasil, menor nível em 14 anosAgência Brasília

IBGE: desemprego cai para 5,2% no Brasil, menor nível em 14 anos

O desemprego no Brasil recuou para 5,2% no trimestre encerrado em setembro, o menor patamar para esse período do ano em 14 anos, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (30). O número de ocupados no país chegou a 103,6 milhões, o maior nível já registrado desde o início da série histórica, em 2012.

Na comparação com o trimestre anterior, fechado em junho, a taxa caiu 0,2 ponto percentual, saindo de 5,4% para 5,2%. Já em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando o indicador marcava 5,6%, a retração foi de 0,4 ponto. O avanço no mercado de trabalho também aparece no nível de ocupação, que mede a proporção de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar: o indicador chegou a 59%, novo recorde da série, 0,2 ponto acima do trimestre anterior.

O crescimento no número de ocupados também chama atenção pela escala. Na comparação trimestral, houve alta de 0,6%, equivalente a 581 mil trabalhadores a mais no mercado. Em um ano, o total de ocupados subiu 1,2%, com 1,2 milhão de pessoas somando-se à força de trabalho ocupada no país.

Como o Brasil chegou a esse nível de desemprego

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Para entender o tamanho da queda, vale lembrar o ponto de partida. Durante a pandemia de Covid-19, a taxa de desemprego no Brasil chegou a superar os 14%, no início de 2021, um dos piores momentos do mercado de trabalho na série histórica do IBGE. A recuperação gradual ao longo dos últimos anos levou o indicador a romper, em 2026, o piso observado antes da crise sanitária, quando a taxa já rondava os 11% a 12% no mesmo período do ano.

O recuo atual também ocorre em um contexto de crescimento do emprego formal. Levantamentos do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) ao longo do ano mostraram saldo positivo na criação de vagas com carteira assinada em praticamente todos os meses de 2026, puxado sobretudo pelos setores de serviços e comércio, tradicionalmente os maiores empregadores do país. A informalidade, embora ainda represente parcela relevante da força de trabalho, também perdeu espaço relativo nesse período, segundo técnicos do instituto que acompanham a série.

Esse movimento de formalização costuma ser apontado por economistas como um dos pontos mais relevantes da leitura dos dados, já que vagas com carteira assinada garantem ao trabalhador acesso a direitos como FGTS, 13º salário e seguro-desemprego, itens que não estão disponíveis para quem atua na informalidade. Uma parcela expressiva dos novos postos formais abertos neste ano, segundo análises de consultorias que acompanham o Caged, concentrou-se em pequenas e médias empresas do setor de serviços, categoria que tem se beneficiado tanto da retomada do consumo das famílias quanto da expansão do crédito bancário destinado a capital de giro.

O que explica a queda e o que vem a seguir

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Analistas do mercado financeiro costumam atribuir o movimento a uma combinação de fatores: a manutenção de um ritmo de atividade econômica ainda resiliente, a expansão do crédito para pequenas e médias empresas e um efeito sazonal típico do fim de ano, quando o varejo amplia contratações temporárias para datas como a Black Friday e o Natal. Economistas ouvidos por veículos especializados também apontam que a queda da inflação em relação aos picos recentes ajudou a preservar o poder de compra dos salários, o que tende a sustentar o consumo das famílias e, por consequência, a demanda por mão de obra.

Ainda assim, especialistas do setor produtivo alertam que o cenário pode se tornar mais desafiador em 2027, quando entra em vigor o novo modelo de tributação sobre o consumo, com a cobrança em caráter de teste da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Representantes de entidades empresariais têm defendido que a transição tributária seja conduzida com cautela, sob o argumento de que mudanças abruptas na carga tributária sobre empresas podem pressionar margens e desacelerar contratações justamente no momento em que o mercado de trabalho mostra o melhor desempenho em mais de uma década.

Como o Brasil se compara a outros países da região

Na comparação internacional, o patamar de 5,2% coloca o Brasil em posição relativamente favorável diante de vizinhos latino-americanos. A Colômbia, por exemplo, segue com taxa de desemprego próxima de 9% segundo dados recentes de seu órgão estatístico nacional, enquanto a Argentina, mergulhada em um processo de ajuste fiscal mais severo, reporta índice ao redor de 7%. Mesmo dentro do próprio histórico brasileiro, o resultado chama atenção: a última vez que o país havia registrado um nível tão baixo para o terceiro trimestre foi em 2012, antes da recessão que se aprofundou a partir de 2015 e levou o desemprego a superar os 13% em alguns trimestres daquele período.

Economistas que acompanham a série do IBGE também notam que a queda atual vem acompanhada de aumento real da massa de rendimentos dos trabalhadores, o que, segundo analistas de mercado, tende a reforçar o ciclo de consumo das famílias nos próximos meses, especialmente às vésperas do período de maior movimento do varejo no ano. Para o setor empresarial, o dado reforça a leitura de que o ambiente de negócios no país, apesar das incertezas ligadas à reforma tributária, ainda sustenta capacidade de geração de empregos, um argumento frequentemente usado por representantes da indústria e do comércio para pedir cautela do governo na definição de novas alíquotas que incidam sobre a folha de pagamento ou sobre o consumo.

Com informações da Jovem Pan.

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