Foto oficial/Agência SenadoFlávio Bolsonaro deixa o Brasil após ordem sigilosa de Moraes assinada 7 minutos após resultado da eleição
Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil na noite de terça-feira (27), um dia depois de descumprir uma ordem sigilosa do ministro Alexandre de Moraes para entregar os passaportes pessoal e diplomático. A velocidade da decisão chama a atenção: segundo o jornal O Globo, a Polícia Federal assinou o pedido a Moraes às 21h16 de domingo (25), apenas sete minutos depois de o TSE proclamar o resultado da eleição. Moraes acolheu o pedido na mesma noite.
Para criminalistas ouvidos pela imprensa, a proximidade entre a proclamação do resultado e o pedido da PF, somada à ausência de manifestação prévia da PGR, “transmite a impressão de uma iniciativa previamente preparada para ser desencadeada” logo depois da apuração. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, foi na mesma linha: segundo ele, Moraes já sabia na manhã de domingo que a conta bancária usada para justificar a medida nunca esteve em nome de Flávio.
O que a PF realmente disse
Um detalhe importante ficou pouco destacado na cobertura da imprensa tradicional: a própria Polícia Federal negou, em comunicado oficial na quarta-feira (28), que a viagem configure fuga. “A existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não caracteriza a condição de foragido nem autoriza a realização de prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares”, informou a corporação. A PF também confirmou que não chegou a registrar oficialmente a saída de Flávio pelos postos de controle migratório brasileiros.
O pedido de retenção dos passaportes se apoiava em dois pontos: a suspeita de que Flávio seria “usuário master” de uma conta em Portugal ligada ao advogado Willer Tomaz, e uma fala do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, dois dias antes da eleição, de que apoiaria a saída do irmão do país em caso de derrota.
A rota até Miami
Intimado a entregar os documentos, Flávio embarcou na terça à noite em voo particular saindo de Puerto Iguaçu, na Argentina, levando a mulher Fernanda e as duas filhas. Segundo seus aliados, ele viajou pouco depois de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. O avião seguiu para Guayaquil, no Equador, e de lá para Miami.
O pastor Silas Malafaia defendeu publicamente a decisão do senador e classificou as medidas contra ele como perseguição: para ele, a rapidez e o sigilo do processo são prova de que Flávio é alvo de um processo judicial movido por motivação política, não jurídica. A expectativa dos aliados do senador é que ele busque reconhecimento como vítima de perseguição pelo Judiciário brasileiro junto ao governo americano.
A carta e a reação de Trump
Horas depois de desembarcar, Flávio divulgou uma carta aberta se declarando “líder do Brasil” e prometendo “liderar a oposição” a partir dos Estados Unidos. Donald Trump, questionado sobre o caso, evitou validar o título escolhido pelo senador, mas deixou claro de que lado está: “Eu achei que ele e sua família foram tratados injustamente.” O presidente americano confirmou ter autorizado a entrada da família no país com visto humanitário.
Trump também voltou a questionar o próprio resultado da eleição brasileira, chamando-a de “vergonha” e citando a reação do mercado financeiro, que registrou a maior queda de um único pregão desde 2020 na segunda-feira seguinte ao segundo turno, como evidência de que o resultado pegou o país de surpresa.
Com informações de O Antagonista, Jovem Pan e Gazeta do Povo.
