
CBF aciona MP após ameaça de presidente da Gaviões da Fiel
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu levar ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) uma representação criminal contra Alexandre Domênico, conhecido como Alê, presidente da Gaviões da Fiel, torcida organizada do Corinthians. A medida foi protocolada na quinta-feira, 29 de outubro, depois que o dirigente publicou uma mensagem em tom intimidatório dirigida à arbitragem brasileira, segundo apurou a Placar.
De acordo com a reportagem, Alê afirmou em suas redes sociais que a torcida sabe onde as equipes de arbitragem se hospedam antes das partidas e que o limite em relação a supostos erros de arbitragem já havia sido superado. A publicação foi feita dois dias antes do confronto entre Corinthians e Mirassol, disputado na sexta-feira, 30, na Neo Química Arena, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro.
O que pede a entidade
A CBF classificou o conteúdo da postagem como de natureza intimidatória e pediu ao MP-SP a instauração de um procedimento investigatório criminal ou inquérito policial, com possível enquadramento nos crimes de ameaça e incitação à violência, com base no Código Penal e na Lei Geral do Esporte. A entidade também solicitou reforço na proteção física dos árbitros escalados para as partidas do clube paulista, além de medidas que impeçam dirigentes da torcida organizada de se aproximar da equipe de arbitragem antes e depois dos jogos.
Segundo a Placar, a CBF pediu ainda a adoção de providências na esfera cível e coletiva contra a própria Gaviões da Fiel e seus dirigentes, nos termos da Lei Geral do Esporte, incluindo a avaliação de ações civis públicas ou termos de ajustamento de conduta. O MP-SP, por sua vez, se reuniu com representantes da Federação Paulista de Futebol (FPF) e decidiu conceder a Alê um prazo de cinco dias para se manifestar formalmente sobre o caso.
Monitoramento policial reforçado
A tensão extracampo levou a Polícia Civil a colocar suas equipes em estado de sobreaviso para a partida contra o Mirassol. A Delegacia de Polícia de Repressão e Análise aos Delitos de Intolerância Esportiva (Dradde) informou que adotou medidas preventivas para preservar a ordem e evitar condutas ilícitas durante o evento, considerando tanto o clima de instabilidade nas redes sociais quanto o momento esportivo do Corinthians na reta final do torneio nacional.
O episódio também gerou reação de outros clubes envolvidos na disputa contra o rebaixamento. O Grêmio enviou um documento oficial à CBF e ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) pedindo a adoção de medidas reforçadas de segurança para as equipes de arbitragem escaladas para partidas do Corinthians, incluindo escolta policial ostensiva aos trios de arbitragem e até a possibilidade de punição ao clube paulista com jogos de portões fechados como mandante.
A defesa do presidente da torcida
Em nota pública, Alê rebateu as acusações e afirmou que a publicação foi feita em caráter pessoal, como torcedor, e não em nome da organizada. Segundo ele, a manifestação ocorreu “igual a milhões de corinthianos que já não aguentam mais ver o Corinthians sendo prejudicado jogo após jogo”.
“Não foi ameaça e nunca será. Falei das mensagens que recebi de torcedores revoltados justamente para mostrar o clima que esses erros estão criando, não para incentivar ninguém a nada”, declarou o dirigente, segundo trecho divulgado pela Placar.
Alê sustentou ainda que vinha reproduzindo mensagens recebidas de outros torcedores para ilustrar o descontentamento gerado por decisões recentes da arbitragem em jogos do Corinthians, e não para fazer uma ameaça direta aos profissionais do apito.
Momento do Corinthians na tabela
O ambiente de tensão reflete diretamente a situação complicada do Corinthians no Campeonato Brasileiro. A seis rodadas do fim da competição, a equipe do Parque São Jorge soma 33 pontos e ocupa a 18ª colocação, dentro da zona de rebaixamento, o que torna cada confronto, como o disputado contra o Mirassol, decisivo para as pretensões de permanência do clube na Série A.
O caso ainda deve se desenrolar nos próximos dias, com o prazo de cinco dias concedido pelo MP-SP para a manifestação formal do presidente da torcida organizada. A CBF reafirmou que não tolerará qualquer ato de intimidação, ameaça ou violência contra integrantes da arbitragem brasileira e que vai acompanhar de perto o andamento das investigações.
