
Anvisa aprova primeiro comprimido antiobesidade do país
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira, 4, o primeiro agonista de GLP-1 em comprimido disponível no Brasil: o Wegovy pill, de 25 mg, fabricado pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk. O medicamento tem como princípio ativo a semaglutida, a mesma substância já consagrada nas canetas injetáveis Ozempic e Wegovy, que nos últimos anos se tornaram um fenômeno de mercado no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
O pedido de registro do Wegovy pill estava em análise pela Anvisa desde fevereiro, segundo informações publicadas pelo portal Veja Saúde. A aprovação chega em um momento de forte demanda por medicamentos emagrecedores no país, com filas de espera recorrentes para as versões injetáveis e um mercado paralelo de importação não regulamentada que preocupa autoridades sanitárias há pelo menos dois anos.
A indicação terapêutica do comprimido é a mesma já aprovada para a caneta injetável: tratamento da obesidade em adultos. São elegíveis para a prescrição pacientes com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30, considerado obesidade, ou IMC igual ou superior a 27 (sobrepeso), desde que a pessoa apresente também alguma comorbidade associada ao excesso de peso, como hipertensão ou diabetes tipo 2.
Diferenças entre o comprimido e a caneta injetável
A principal mudança em relação à versão injetável está na periodicidade do tratamento. Enquanto a caneta exige uma aplicação semanal, o comprimido deve ser tomado diariamente, o que representa uma rotina bem diferente para o paciente. Outra exigência nova é o horário da ingestão: o Wegovy pill precisa ser tomado em jejum, recomendação que não existia para a versão injetável.
Em estudos clínicos citados pela reportagem de Veja Saúde, o comprimido demonstrou potencial de perda de peso equivalente ao da caneta, levando a uma queda média de 17% em relação ao peso corporal registrado antes do início do tratamento. O resultado é considerado relevante pela comunidade médica porque elimina a barreira da aplicação injetável, historicamente um dos principais fatores de desistência de tratamento entre pacientes com fobia de agulhas ou dificuldade de adesão à rotina de aplicações.
Até o momento, a semaglutida em comprimidos só está autorizada para uso em pacientes adultos, ou seja, a partir dos 18 anos. A versão injetável do Wegovy, por outro lado, já pode ser prescrita a partir dos 12 anos em casos específicos de obesidade infantojuvenil, o que mantém a caneta como única opção para o público mais jovem por enquanto.
Transição exige acompanhamento médico e pode ter concorrente em breve
Pacientes que já utilizam a versão injetável e desejam migrar para o comprimido precisam fazer essa troca sob supervisão médica. Como o uso passa de semanal para diário, não existe equivalência direta de “um para um” entre as doses das duas apresentações, o que exige ajuste individualizado conforme o medicamento e a dosagem previamente utilizados pelo paciente.
O mercado de medicamentos para emagrecimento deve ficar ainda mais concorrido nos próximos meses. A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro (tirzepatida), já submeteu à Anvisa um pedido de registro para seu próprio comprimido antiobesidade, batizado de orforglipron, segundo apurou a reportagem de Veja Saúde. Caso aprovado, o produto disputará diretamente o espaço que o Wegovy pill acaba de conquistar, ampliando as opções de tratamento oral disponíveis no país.
A chegada de versões orais de medicamentos à base de GLP-1 tende a pressionar ainda mais um mercado que já registra desabastecimento intermitente das canetas injetáveis em diversas regiões do Brasil. Episódios recentes de judicialização sobre fornecimento gratuito de medicamentos semelhantes por redes públicas de saúde, como ocorreu em alguns municípios do interior paulista com o Mounjaro, mostram como a demanda por esses tratamentos extrapola a capacidade de oferta regulada e alimenta debates sobre o papel do poder público na distribuição de medicamentos de alto custo voltados à obesidade.
O comprimido deve ser vendido exclusivamente mediante prescrição médica. Assim como ocorre com a versão injetável, a bula recomenda que o tratamento seja acompanhado de alimentação com restrição calórica e prática regular de exercícios físicos, medidas consideradas essenciais pelos próprios fabricantes para potencializar os resultados e reduzir o risco de reganho de peso após a interrupção do uso.
Com informações de Veja Saúde.
