Dólar acumula alta de 7,9% na semana e IFI vê piora fiscal com medidas de LulaCongresso Nacional/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.5)

Dólar acumula alta de 7,9% na semana e IFI vê piora fiscal com medidas de Lula

O dólar fechou nesta quinta-feira (29) cotado a R$ 5,3878, em alta de 0,89%, depois de ter chegado a tocar R$ 5,4290 ao longo do pregão. Na semana, a moeda americana já acumula ganhos de 7,90% desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um movimento que operadores do mercado financeiro atribuem às dúvidas sobre a disposição do governo em promover um ajuste fiscal real no novo mandato.

“Vejo o mercado operando muito mais o quadro local que o externo nesta semana pós-eleição. O que todo mundo quer saber é como vai ser a política econômica e se vai ter ajuste fiscal”, afirmou o gestor de portfólio da Azimut Brasil, Marcelo Bacelar, em entrevista ao Estadão Conteúdo.

Boulos descarta corte de gastos sociais

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Parte da pressão sobre o câmbio nesta quinta-feira veio de declarações do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que descartou publicamente qualquer corte de gastos sociais como caminho para o ajuste fiscal. “O tesouraço foi derrotado nas urnas e pela mobilização popular”, escreveu Boulos em rede social. Segundo operadores consultados pela reportagem, a fala foi interpretada como representativa de uma ala do Palácio do Planalto próxima ao presidente, o que ajudou a empurrar o dólar à máxima do dia.

O real teve nesta quinta-feira o segundo pior desempenho entre as moedas mais líquidas do mundo, atrás apenas do peso mexicano.

IFI projeta novo déficit em 2027

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No mesmo dia, a Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão técnico ligado ao Senado Federal, divulgou parecer afirmando que as medidas anunciadas durante a campanha presidencial por Lula agravaram a situação já delicada das contas públicas. Segundo os diretores da IFI, Marcus Pestana e Alexandre Andrade, “sem um ajuste fiscal consistente, não haverá retomada relevante dos investimentos estratégicos, crescimento acelerado, criação de empregos de qualidade, incremento da renda e dinheiro para financiar políticas públicas essenciais”.

A instituição projeta um déficit primário efetivo potencial de 1% do PIB em 2027 e calcula que seria necessário um superávit de 2,1% do PIB apenas para estabilizar a relação entre a dívida pública e o PIB, hoje em 82,9%, ante 71,7% no fim de 2022.

Pacote de campanha pesa no orçamento

Durante a reta final da disputa presidencial, o governo eleito anunciou uma série de medidas de impacto bilionário no orçamento, entre elas o reajuste do Bolsa Família, a ampliação do Pé-de-Meia, novas linhas de crédito e renegociação de dívidas, benefícios a microempreendedores individuais e a proposta de transporte público gratuito aos fins de semana. O mercado projeta um déficit primário de cerca de R$ 54 bilhões em 2027, justamente no ano em que o governo promete fechar as contas no azul.

Com 91,3% das despesas primárias do orçamento de 2027 já comprometidas com gastos obrigatórios, economistas apontam que o espaço de manobra do governo para equilibrar as contas sem novos aumentos de impostos é cada vez mais estreito.

Com informações de Jovem Pan e O Antagonista.

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