Wikimedia Commons (CC BY 3.0 BR)Aldeias em MS vão receber proteção da Força Nacional
O governo federal decidiu ampliar a presença da Força Nacional de Segurança Pública em Mato Grosso do Sul para proteger aldeias indígenas Guarani Kaiowá que vêm registrando denúncias de violência desde o segundo turno das eleições presidenciais, realizado na semana passada e que resultou na reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. O anúncio foi feito pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, durante visita à região neste fim de semana.
Lima e Silva esteve acompanhado dos ministros Eloy Terena, da pasta dos Povos Indígenas, e Janine Mello, dos Direitos Humanos, em uma comitiva que percorreu aldeias na fronteira com o Paraguai, incluindo as comunidades de Sassoró, no município de Tacuru, e Taquapery, em Coronel Sapucaia. A visita ocorreu depois que casos de ameaças e agressões contra indígenas ganharam repercussão nas redes sociais no período pós-eleitoral.
Como vai funcionar o reforço da Força Nacional
Segundo o ministro, a tropa federal já presente na região vai receber reforço numérico e passará a adotar um novo protocolo de monitoramento, batizado de “Minuto a Minuto”. De acordo com a explicação dada por Lima e Silva, as equipes permanecerão constantemente disponíveis em campo para se deslocar a qualquer ocorrência classificada como criminosa ou de maior gravidade, podendo ser acionadas pela Polícia Federal, pela Polícia Rodoviária Federal ou pelas corporações estaduais.
O programa prevê ainda o uso de imagens e ferramentas de detecção para identificar rapidamente o tipo de ocorrência registrada, de forma a indicar, sempre que possível, autoria e materialidade dos atos cometidos contra os indígenas. A iniciativa busca dar resposta mais rápida diante do aumento de relatos de intimidação na fronteira com o Paraguai, área historicamente marcada por conflitos fundiários envolvendo a etnia Guarani Kaiowá.
Casos de violência e investigação em andamento
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) já contabilizou mais de 30 casos de violência relatados por lideranças e moradores das aldeias da região desde o fim do processo eleitoral. Um dos episódios que mais chamou atenção foi uma ameaça de envenenamento da água que teria circulado por áudio em grupos de WhatsApp da região, mirando moradores de uma das aldeias visitadas pela comitiva ministerial.
O ministro Eloy Terena informou que a Polícia Federal já tomou depoimentos de suspeitos envolvidos nos casos apurados até o momento e que o monitoramento da qualidade da água na região será intensificado como medida preventiva. Segundo ele, de um total de dez denúncias filtradas pelas autoridades após triagem inicial, quatro têm ligação direta e comprovada com Mato Grosso do Sul, havendo ainda a necessidade de apurar se outros registros, como atropelamentos, de fato têm motivação política.
O Ministério dos Direitos Humanos afirmou que colocará o Programa de Proteção à disposição das vítimas identificadas nesses episódios. Atualmente, mais de 80 indígenas do estado já estão inseridos nesse programa federal, que oferece apoio e medidas de segurança a pessoas sob ameaça. A mobilização de três ministérios simultaneamente para uma mesma visita de campo sinaliza a prioridade que o governo tem dado ao tema diante da repercussão nacional dos casos denunciados nas últimas semanas.
Com informações de Jovem Pan.
