Wikimedia Commons (CC BY 4.0)Linha de metrô de R$ 19 bilhões promete transformar viagem de 1h30 em 23 minutos em São Paulo
Uma viagem que hoje consome cerca de 1h30 de ônibus entre a Zona Norte e o centro de São Paulo deve ser reduzida para apenas 23 minutos quando a Linha 6-Laranja do metrô estiver totalmente concluída. O empreendimento, orçado em R$ 19 bilhões, já abriu seis de suas 15 estações ao público e é apontado como uma das maiores obras de mobilidade urbana em andamento na América Latina.
Quando estiver pronta, a nova linha vai ligar o bairro da Brasilândia, na Zona Norte da capital paulista, à estação São Joaquim, na região central, passando por bairros como Freguesia do Ó, Água Branca, Pompeia, Perdizes e Higienópolis antes de chegar à Liberdade. A obra é resultado de uma parceria público-privada entre o Governo de São Paulo e a concessionária Linha Uni, com execução a cargo da Acciona.
Por que o trajeto fica tão mais rápido
A diferença brutal de tempo se explica pelo formato do trajeto: os trens vão circular inteiramente por túneis exclusivos, sem enfrentar semáforos, cruzamentos ou o trânsito das ruas, ao contrário dos ônibus que hoje fazem esse mesmo percurso na superfície. A concessionária responsável pela operação projeta que o deslocamento ponta a ponta, de Brasilândia a São Joaquim, poderá ser cumprido em aproximadamente 23 minutos quando todo o traçado estiver em funcionamento pleno.
A obra também prevê integrações estratégicas com outras linhas do sistema de transporte metropolitano: a estação Água Branca vai se conectar à Linha 7-Rubi, a Higienópolis-Mackenzie à Linha 4-Amarela, e a São Joaquim à Linha 1-Azul. Essas conexões devem ampliar a malha de transporte sobre trilhos disponível para quem se deslinda pelas regiões norte, oeste e central da cidade, reduzindo a dependência de ônibus para trajetos mais longos.
Escavação, profundidade e números da nova linha
Os túneis foram abertos com o uso de duas grandes máquinas tuneladoras, conhecidas popularmente como “tatuzões”, equipamentos que escavam o solo e simultaneamente instalam as peças de concreto que revestem as paredes dos túneis. Em fevereiro de 2025, uma dessas máquinas, batizada de Maria Leopoldina, completou um percurso de cerca de 8,9 quilômetros até a futura estação São Joaquim, selando a conexão subterrânea entre os trechos da obra.
Algumas estações terão profundidade considerável: a futura Itaberaba-Hospital Vila Penteado foi projetada com cerca de 65,7 metros, o que deve torná-la uma das estruturas subterrâneas mais profundas da rede de metrô paulistana. Ao todo, o projeto prevê mais de 400 equipamentos de mobilidade, como elevadores e escadas rolantes, para dar acesso às plataformas em diferentes profundidades.
A expectativa é que, em operação plena, a linha transporte cerca de 633 mil passageiros por dia, com uma frota de 22 trens fabricados pela Alstom em Taubaté, cada um com capacidade para 2.044 pessoas. No primeiro mês de operação assistida do trecho já aberto, entre João Paulo I e Perdizes, a linha registrou 42.239 passageiros, segundo balanço da Acciona. A conclusão do trajeto completo até São Joaquim está prevista para 2027.
Com informações de O Antagonista.
