Brasil pode voltar a ser a 8ª maior economia, apesar de dívida em alta e desaceleraçãoWikimedia Commons (CC BY 2.0)

Brasil pode voltar a ser a 8ª maior economia, apesar de dívida em alta e desaceleração

O Brasil deve retomar, em 2027, a posição de oitava maior economia do mundo em termos de Produto Interno Bruto (PIB) nominal, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgadas no relatório Perspectivas da Economia Mundial, apresentado em Bangkok, na Tailândia. A estimativa aponta que o PIB brasileiro deve alcançar US$ 2,8 trilhões no próximo ano, contra US$ 2,66 trilhões em 2026, ano em que o país deve fechar apenas na décima colocação do ranking global.

O possível avanço de duas posições, no entanto, convive com um cenário econômico doméstico bem mais complicado do que a notícia sugere à primeira vista. O próprio FMI, ao publicar a projeção, fez alertas específicos sobre a necessidade de o governo brasileiro controlar o crescimento das despesas públicas e conter o avanço da dívida.

Dívida pública em trajetória de alta sob o governo Lula

ESPAÇO PUBLICITÁRIO 336x280 (após o 1º subtítulo)

Segundo o relatório do FMI, a dívida pública brasileira cresceu nove pontos percentuais durante a atual gestão, atingindo 82,9% do PIB. O órgão multilateral reforça que o país precisa avançar em reformas estruturais capazes de aumentar a produtividade da economia, sob risco de comprometer a sustentabilidade fiscal no médio prazo, mesmo em um cenário de ganho de posições no ranking internacional.

Além do endividamento crescente, o FMI projeta moderação no crescimento da economia brasileira nos próximos dois anos. Os dados do IBGE mostram que, nos quatro trimestres até junho, o PIB cresceu 1,9%, quinto período consecutivo de desaceleração, número bem inferior à alta de 3% registrada em 2022, último ano completo antes da posse de Lula no atual mandato. A moderação do crescimento ajuda a conter a inflação, mas vem acompanhada de uma previsão de alta no desemprego, que pode passar de 6,2% para 6,8% em 2027, segundo as estimativas do Fundo.

Avanço no ranking depende também da fraqueza de rivais

ESPAÇO PUBLICITÁRIO 336x280 (após o 2º subtítulo)

Parte da subida brasileira no ranking do PIB nominal se explica não por um desempenho espetacular da economia nacional, mas pela fraqueza de concorrentes diretos. Itália e Rússia, hoje colocadas acima do Brasil, devem ser ultrapassadas com margens muito estreitas: o PIB brasileiro projetado para 2027 fica apenas 1,1% acima do italiano, diferença pequena o suficiente para ser revertida por uma simples oscilação cambial.

O FMI projeta crescimento de apenas 0,8% para a economia italiana em 2026 e 0,6% em 2027, reflexo dos altos custos de energia na Zona do Euro e da fraca confiança do consumidor europeu. Já a Rússia deve crescer 0,9% em 2026 e 0,9% em 2027, pressionada pelos efeitos prolongados da guerra com a Ucrânia, iniciada em 2022. No topo do ranking, Estados Unidos e China devem continuar isolados nas duas primeiras posições, com PIBs estimados em US$ 34,44 trilhões e US$ 22,94 trilhões, respectivamente, seguidos por Alemanha, Índia, Reino Unido, Japão e França antes do Brasil aparecer na oitava posição.

Com informações de Gazeta do Povo.

CATEGORIAS
Compartilhar

COMENTÁRIOS