Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)Brasil, a nova Venezuela? Semelhanças entre sistemas políticos que não toleram oposição
Um artigo de opinião publicado pela Gazeta do Povo, assinado por Daniel McCarthy, pesquisador da Heritage Foundation, e originalmente veiculado pelo think tank conservador americano Daily Signal, levanta um alerta sobre o tratamento dado à oposição política no Brasil e traça um paralelo direto com o regime chavista na Venezuela. O texto chega em um momento de forte tensão institucional após a eleição presidencial brasileira, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva sobre o senador Flávio Bolsonaro.
Passaportes confiscados e dúvidas sobre o processo eleitoral
De acordo com o artigo, no dia seguinte à derrota eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro teve os passaportes pessoal e diplomático confiscados e recebeu ordem de não deixar o território nacional, medida que o autor classifica como sintoma de um ambiente político que não tolera uma oposição legítima. O texto lembra ainda que um juiz, já advogado pessoal de Lula, determinou a prorrogação do horário de funcionamento das seções eleitorais em duas horas, atendendo a reclamações do próprio candidato situacionista sobre transporte público, decisão que motivou críticas do presidente americano Donald Trump, que chegou a declarar que o pleito “parecia mais uma eleição fraudada”.
O artigo reconhece que Bolsonaro, apesar de inclinado a contestar o resultado, optou por não anular a votação e apresentou apenas uma denúncia contra Lula por uso da máquina pública durante a campanha, um protesto que o autor descreve como de peso simbólico diante de duas investigações de corrupção que ainda pesam sobre o senador derrotado.
O espelho venezuelano e o futuro da oposição na América Latina
A comparação com a Venezuela ganha força no texto a partir da trajetória recente da oposição venezuelana. Enquanto o Brasil elegia seu novo presidente, a líder opositora Maria Corina Machado retornava ao país após quase um ano de exílio, num momento em que o poder chavista passou das mãos de Nicolás Maduro, capturado pelos Estados Unidos em janeiro, para Delcy Rodríguez. O artigo questiona se a nova liderança venezuelana permitirá eleições livres pela primeira vez desde a morte de Hugo Chávez, em 2013, ou se perseguirá judicialmente seus rivais da mesma forma que, segundo o autor, tem ocorrido no Brasil.
O texto também recorre à experiência americana do “lawfare” contra Donald Trump durante o governo de Joe Biden como argumento para alertar sobre os riscos de processos judiciais movidos contra líderes de oposição, citando o caso da procuradora-geral de Nova York, Letitia James, que acusou Trump formalmente. Para o autor, cabe a Lula, agora reeleito mas enfraquecido por uma queda histórica no mercado acionário brasileiro após o resultado da eleição e pelo controle do Congresso nas mãos de aliados de Bolsonaro desde outubro, reconhecer a legitimidade da oposição conservadora, sob pena de repetir, segundo o artigo, o roteiro de intolerância política já observado na Venezuela chavista.
Com informações de Gazeta do Povo.
