Pexels / HUUM Sauna HeatersApenas 30 minutos de sauna já desencadeiam resposta imunológica, mostra estudo
Pesquisadores da Universidade de Turku, na Finlândia, mostraram que apenas trinta minutos de sauna são suficientes para desencadear uma resposta imunológica imediata no corpo humano. O estudo, publicado na revista científica Temperature, aponta que a exposição ao calor extremo, em torno de 73 graus Celsius, funciona como um gatilho direto para o sistema de defesa do organismo, liberando células protetoras na corrente sanguínea em um intervalo de tempo muito curto.
O achado reforça uma percepção popular antiga, a de que o banho de sauna “faz bem” para a imunidade, mas também traz uma ressalva importante que costuma passar despercebida por quem busca a prática como forma de evitar resfriados e outras infecções. Segundo os próprios pesquisadores, o aumento de células de defesa no sangue é expressivo durante a sessão, mas começa a cair de forma significativa já nos trinta minutos seguintes ao fim do banho quente. As células não desaparecem, elas simplesmente retornam aos tecidos de onde vieram, o que limita a janela de efeito direto observado no exame de sangue.
De acordo com o levantamento, divulgado inicialmente pelo portal científico ScienceAlert, o mecanismo pelo qual o calor intenso aciona esse processo se assemelha, em vários aspectos, ao que ocorre durante um exercício físico de alta intensidade. Em ambos os casos, o corpo reage com aceleração dos batimentos cardíacos e dilatação dos vasos sanguíneos, como parte de uma resposta de regulação térmica e de mobilização do sistema circulatório.
O que o calor faz com as células de defesa
O estudo comparou, lado a lado, o comportamento do organismo durante uma sessão de sauna e durante uma atividade física puxada. Nos dois cenários, há um pico de liberação celular no sangue durante o esforço ou a exposição ao calor, seguido por uma queda relativamente rápida assim que o estímulo termina. No caso da sauna, o coração acelera principalmente para ajudar a resfriar a pele, enquanto durante o exercício físico o aumento dos batimentos serve para bombear mais oxigênio para os músculos em atividade. Em ambas as situações, os vasos sanguíneos se dilatam de forma intensa, favorecendo a circulação.
Essa semelhança fisiológica ajuda a explicar por que a sauna é frequentemente associada, na cultura popular nórdica, a benefícios de recuperação muscular e de bem-estar geral, efeitos que também costumam ser atribuídos à prática regular de exercícios. A diferença está no tipo de estímulo: um é mecânico, provocado pelo esforço dos músculos, e o outro é térmico, provocado pela exposição a temperaturas elevadas em um ambiente controlado.
Benefício pontual, não substituto de hábitos saudáveis
Apesar do resultado positivo, especialistas que comentaram a pesquisa reforçam que o efeito observado é agudo e temporário, e não deve ser interpretado como uma espécie de “vacina natural” contra infecções. A mobilização de células imunológicas durante a sauna é real e mensurável em exames de sangue, mas a literatura científica ainda não comprovou que sessões regulares de sauna reduzam, de forma consistente, a frequência de resfriados, gripes ou outras doenças infecciosas ao longo do tempo. Outros fatores, como qualidade do sono, alimentação equilibrada, atividade física regular e vacinação em dia, continuam sendo os pilares mais bem estabelecidos para manter o sistema imunológico funcionando de forma adequada.
A prática de sauna também exige cuidado em determinados grupos, como gestantes, pessoas com problemas cardiovasculares não controlados e pacientes com pressão arterial instável, que devem procurar orientação médica antes de frequentar ambientes de calor extremo com regularidade. A hidratação adequada antes e depois da sessão também é recomendada, já que a sudorese intensa provocada pelo calor pode levar à perda rápida de líquidos e eletrólitos.
No fim, o estudo finlandês acrescenta um dado concreto a uma discussão que já vinha sendo explorada por outras pesquisas sobre os efeitos do calor no corpo humano, incluindo estudos anteriores que associaram o uso frequente de sauna à redução de alguns fatores de risco cardiovascular. O avanço científico mais recente está justamente em mostrar, com dados de laboratório, como e por quanto tempo o sistema imunológico reage a uma sessão isolada de calor intenso, trazendo mais precisão a um hábito até então sustentado majoritariamente por tradição e percepção subjetiva de bem-estar.
Uma tradição finlandesa que virou objeto de estudo
A sauna ocupa um lugar central na cultura da Finlândia havia séculos, ao ponto de o país contar, segundo estimativas de associações locais do setor, com mais saunas do que carros em determinadas regiões. Essa proximidade histórica com a prática ajuda a explicar por que boa parte das pesquisas científicas recentes sobre os efeitos do calor extremo no corpo humano, incluindo o estudo conduzido pela Universidade de Turku, tem origem em centros de pesquisa finlandeses, que acumulam décadas de observação sobre hábitos de banho quente em sua própria população.
Pesquisas anteriores, conduzidas também na Finlândia, já haviam associado o uso frequente de sauna a uma possível redução no risco de doenças cardiovasculares e, em alguns levantamentos, a uma menor incidência de demência em acompanhamentos de longo prazo. Esses estudos, no entanto, costumam ser observacionais, o que significa que não provam uma relação direta de causa e efeito, apenas identificam uma associação estatística entre o hábito e determinados desfechos de saúde ao longo dos anos. O estudo mais recente sobre resposta imunológica se diferencia por medir, em tempo real, o que acontece no sangue durante e logo após uma sessão isolada de sauna, o que dá mais precisão sobre o mecanismo biológico envolvido, mesmo sem responder ainda se o efeito se traduz em menos infecções ao longo de meses ou anos de prática regular.
Com informações de O Antagonista.
