Wikimedia CommonsConfiança do comércio cai ao menor nível desde 2021 e ameaça contratações para o fim do ano
A confiança dos empresários do comércio brasileiro caiu ao menor nível desde maio de 2021, enquanto a intenção de contratar funcionários recuou às vésperas do período mais lucrativo do calendário do varejo. O dado é de levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgado nesta quinta-feira (29).
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) registrou queda de 2,7% em outubro, atingindo 96,7 pontos, a quarta retração mensal consecutiva e a mais intensa desde julho. Segundo a CNC, a última vez que a confiança esteve em nível tão baixo foi em maio de 2021, quando o índice marcou 94,5 pontos.
Contratações e investimentos em queda antes da Black Friday
A piora nas expectativas já afeta diretamente os planos de contratação e investimento das empresas, justamente quando os lojistas deveriam reforçar suas equipes para atender à demanda da Black Friday e do Natal. A intenção de contratar funcionários caiu 2,8% em outubro, enquanto o subíndice de investimentos recuou 2,4%, chegando a 98,9 pontos.
“Quando o empresário pisa no freio das contratações e dos investimentos, toda economia desacelera”, afirmou José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac. Tadros também cobrou previsibilidade econômica e condições mais favoráveis para os negócios, afirmando que o comércio “quer expandir e gerar postos de trabalho, mas precisa de um ambiente mais favorável para manter o crescimento”.
Pessimismo no nível mais alto desde 2021
O indicador de avaliação das condições econômicas atuais caiu 5,5% em outubro, chegando a apenas 68,2 pontos, após seis meses consecutivos de retração. Segundo a pesquisa, 78,2% dos empresários perceberam piora na situação econômica, o maior percentual de pessimismo desde maio de 2021.
Na avaliação da CNC, a maior concorrência de produtos importados, especialmente após o fim do imposto apelidado de “taxa das blusinhas”, contribui para pressionar os comerciantes nacionais. O economista-chefe da entidade, Fabio Bentes, também aponta o endividamento dos consumidores como obstáculo à recuperação do setor.
Com informações de Gazeta do Povo.
