Nova caneta de semaglutida chega às farmácias

Nova caneta de semaglutida chega às farmácias

Chega às farmácias brasileiras nesta sexta-feira (6) o SemaClique, uma nova caneta de semaglutida sintética fabricada no país. O medicamento é produzido pela Brace Pharma, farmacêutica do grupo EMS, e passa a ser a quarta opção nacional de semaglutida injetável a chegar ao mercado desde o fim da patente da substância, em março deste ano, segundo reportagem da Veja Saúde.

O preço de lançamento é de R$ 464,81 por unidade, mas cai para R$ 333 por caneta quando a compra é feita no combo com três unidades, totalizando R$ 999. O SemaClique foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em agosto deste ano, especificamente para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2. Embora a semaglutida também seja a base de medicamentos famosos para emagrecimento, como o Wegovy, o SemaClique não tem indicação aprovada para tratamento de obesidade, apenas para controle glicêmico.

Como funciona o sistema de cliques

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O diferencial comercial destacado pela Brace Pharma é o sistema de ajuste de dose por cliques. Na prática, isso significa que uma única caneta concentra diferentes possibilidades de dosagem, sem que o paciente precise comprar uma nova apresentação do remédio a cada mudança de concentração indicada pelo médico, como costuma ocorrer com outras marcas do mercado.

Segundo a farmacêutica, o objetivo é simplificar a rotina de quem já lida com tratamentos complexos e custos elevados. Em nota à imprensa, um representante da empresa afirmou que a ideia não foi multiplicar formatos de caneta, mas sim facilitar a adesão ao tratamento sem exigir cálculos ou trocas de dispositivo a cada ajuste de dose.

A aplicação é semanal, via injeção subcutânea, o mesmo esquema posológico usado por outras semaglutidas do mercado, como o Ozempic, medicamento biológico da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk que se tornou referência mundial no tratamento de diabetes tipo 2 e, mais recentemente, ganhou notoriedade também pelo uso voltado à perda de peso.

Um mercado que ficou mais concorrido em poucos meses

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O lançamento do SemaClique acontece em meio a uma corrida acelerada de farmacêuticas brasileiras para ocupar o espaço aberto pelo fim da exclusividade da semaglutida biológica. A primeira versão sintética nacional aprovada pela Anvisa, o Ozivy, também da EMS, chegou às farmácias em junho, com preço inicial a partir de R$ 450.

Desde então, outras marcas entraram na disputa. A Semavy, da Mantecorp, pertencente ao grupo Hypera Pharma, está disponível desde o início de setembro com desconto de 67% em relação ao Ozempic e pode ser armazenada fora da geladeira depois de aberta, o que facilita o transporte e o uso fora de casa. Já a Owozy, da Ávita Care em parceria com Biolab e Sandoz, entrou no programa de benefícios “Saúde em Evolução” da Biolab, com preços entre R$ 349 e R$ 488 por caneta, a depender da apresentação escolhida.

Essa concorrência crescente tem pressionado os preços para baixo em relação ao medicamento de referência da Novo Nordisk, cujo valor histórico no Brasil costumava superar em muito as novas opções nacionais. Para o paciente com diabetes tipo 2 que depende de tratamento contínuo e caro, a chegada de cada novo concorrente amplia as alternativas de custo, ainda que nenhuma das versões sintéticas até agora tenha indicação aprovada para emagrecimento isolado.

O pano de fundo da política de medicamentos

O avanço das canetas de semaglutida genérica e similar no Brasil também expõe tensões regulatórias que já vêm sendo discutidas no país. Na quinta-feira (5), a própria Veja Saúde noticiou que a Justiça de São Paulo suspendeu provisoriamente o chamado “Bolsa Mounjaro” de Urupês, programa municipal que distribuía gratuitamente a tirzepatida, outro medicamento da classe dos agonistas de GLP-1, após indícios de que o produto estaria sendo fabricado em larga escala por farmácias de manipulação, fora dos padrões exigidos para medicamentos biológicos complexos.

O episódio reforça o quanto o mercado de medicamentos para diabetes e obesidade no Brasil está em transformação acelerada, tanto pelo lado da indústria farmacêutica tradicional, que lança novas versões nacionais mês após mês, quanto pelo lado da fiscalização sanitária, que tenta acompanhar o ritmo de produtos alternativos e informais que surgem à margem da regulação da Anvisa.

Para quem depende do tratamento contínuo da diabetes tipo 2, a recomendação de especialistas segue a mesma: qualquer troca de medicamento ou caneta deve ser acompanhada por orientação médica, já que a dosagem e o esquema de ajuste variam conforme a marca e a apresentação escolhida.

Com informações de Veja Saúde.

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