Presidente da CDH, senadora Damares Alves
(Republicanos-DF), participa do lançamento do Banco Vermelho no Senado Federal. Uma luta pelo Feminicídiozero no Brasil. O projeto visa conscientizar sobre o fim da violência contra a mulher. Inspirado em uma iniciativa internacional, o projeto busca instalar bancos vermelhos em locais públicos com mensagens de reflexão e informações sobre canais de ajuda e denúncia.
Foto: Jefferson Rudy/Agência SenadoDamares cobra depoimento de Vorcaro no Senado
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) decidiu avançar com a convocação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para prestar depoimento no Senado, mas esbarrou, mais uma vez, na resistência de parlamentares ligados à base do governo Lula. A informação é de O Antagonista.
Relatora de uma investigação aberta na Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor (CTFC), Damares apresentou parecer favorável ao prosseguimento do caso, que apura possíveis falhas de órgãos públicos na fiscalização do Banco Master, além de eventuais omissões de autoridades diante das irregularidades que levaram à crise da instituição.
A proposta de fiscalização e controle que deu origem à investigação é de autoria do senador Márcio Bittar (PL-AC). Segundo Damares, o relatório está pronto desde abril deste ano, o que torna ainda mais evidente, na leitura de aliados da senadora, o esforço de parte do Senado para represar um processo que já poderia ter avançado há meses.
Pedido de vista trava a votação
O impasse mais recente aconteceu durante reunião realizada na quarta-feira, 4. O presidente da comissão, Dr. Hiran (PP-RR), chegou a colocar o relatório em pauta de votação, mas a senadora Leany Lemos (PSB-DF), da base governista, pediu vista do processo, o que adiou a análise para a próxima semana.
Para Damares, a demora não se justifica diante da gravidade do caso. “O Brasil precisa saber de muita coisa que aconteceu no Banco Master”, afirmou a senadora, ao defender publicamente que Vorcaro seja ouvido pelo colegiado assim que o parecer for aprovado.
O procedimento de fiscalização e controle, uma vez aprovado, dá à comissão poderes amplos: requisitar documentos, convocar envolvidos para prestar esclarecimentos e solicitar auditorias ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a atuação dos órgãos de supervisão financeira no período que antecedeu o colapso da instituição.
Um caso que já gerou indiciamentos e mudou o debate sobre o sistema financeiro
O caso Master segue como um dos episódios mais expressivos do noticiário econômico recente. A Polícia Federal já indiciou Daniel Vorcaro e outras 14 pessoas por suspeita de fraude envolvendo a tentativa de compra do banco pelo BRB, em valores que, segundo apurações anteriores, somam mais de R$ 17 bilhões. Na quinta-feira, 5, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, manteve a prisão preventiva de Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, rejeitando pedido de prisão domiciliar.
A crise ganhou ainda mais repercussão nesta semana depois da renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, em meio ao escândalo do Ueno Bank, maior emissor de cartões de crédito do país vizinho. Políticos brasileiros, entre eles o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, chegaram a citar o episódio paraguaio como contraponto ao caso Master, cobrando mais rigor e celeridade das autoridades brasileiras diante de denúncias semelhantes envolvendo fiscalização bancária.
É nesse contexto que a atuação de Damares Alves ganha peso político. Ao insistir na convocação de Vorcaro mesmo diante de sucessivos adiamentos, a senadora reforça o argumento de que setores ligados ao governo têm interesse em esfriar uma investigação que pode expor falhas de supervisão em órgãos federais justamente num momento em que o Executivo busca reconstruir a confiança do mercado após a reeleição de Lula.
A expectativa de aliados da senadora é que o parecer retorne à pauta da comissão já na próxima reunião, mas não há garantia de que a oposição conseguirá, desta vez, emplacar a votação sem nova resistência da base aliada ao governo.
Este texto foi produzido com base em reportagem publicada por O Antagonista.
