PSD quer ao menos três ministérios no governo Lula 4Visite de M. Gilberto Kassab, Ministre brésilien de la Science, de la Technologie, de l'Innovation et des Communications

PSD quer ao menos três ministérios no governo Lula 4

O PSD, partido comandado por Gilberto Kassab, enviou recados ao Palácio do Planalto deixando claro que quer ficar com pelo menos três ministérios no governo Lula 4, que toma posse em janeiro de 2027. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada por O Antagonista junto a integrantes da legenda.

A sigla já controla três pastas na Esplanada: Minas e Energia, Agricultura e Pesca. Das três, pelo menos duas devem continuar nas mãos do PSD. Há um entendimento interno de que o ministro Alexandre Silveira permaneça à frente de Minas e Energia por mais algum tempo, enquanto o ex-ministro Carlos Fávaro é dado como favorito para voltar ao comando da Agricultura.

Fávaro é visto dentro do partido como um nome que ajudou a reduzir o atrito entre o governo petista e o agronegócio, setor que nas eleições de outubro se aproximou claramente do bolsonarismo. Manter o ex-ministro na pasta seria, nessa leitura, uma forma de o governo sinalizar ao campo que não pretende radicalizar o discurso contra o setor logo no início do novo mandato.

Disputa pela terceira pasta

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O impasse está na terceira cadeira. O PSD avalia que, desta vez, quer uma estrutura mais robusta e cogita avançar sobre ministérios hoje sob influência do MDB. Um integrante importante da legenda disse a O Antagonista que o MDB não pode ser “premiado” com mais espaço na Esplanada, já que a maioria do partido fechou questão em apoio à candidatura derrotada de Flávio Bolsonaro no primeiro turno.

Com esse argumento, o PSD mira o Ministério dos Transportes ou o das Cidades. Os Transportes eram comandados por Renan Filho, que perdeu a disputa pelo governo de Alagoas em outubro, no mesmo pleito em que seu pai, Renan Calheiros, foi derrotado na corrida ao Senado. Avalia-se que Lula ainda tente contemplar o pai com algum espaço no governo, mas, segundo o próprio Antagonista apurou, essa eventual pasta seria tratada como cota pessoal do presidente, não do partido.

A disputa por espaço na Esplanada não se limita ao PSD. Segundo apuração anterior do mesmo veículo, tanto o União Brasil quanto o PP também avisaram o Planalto que querem, cada um, pelo menos três ministérios no próximo governo. A ideia do União seria repetir o arranjo adotado no início do atual mandato, quando a sigla ficou com uma pasta destinada ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e outra indicada pela bancada da Câmara.

O preço político do apoio parlamentar

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Já o PP tem mirado o Ministério da Saúde, numa negociação conduzida pela ala do partido mais próxima do deputado Ricardo Barros, que ocupou a mesma pasta no governo Michel Temer.

O pano de fundo dessas conversas é o aprendizado que o Palácio do Planalto tirou do terceiro mandato. Em 2023, tanto o União Brasil quanto o PP ganharam cadeiras na Esplanada, mas as duas bancadas não entregaram apoio integral às pautas do governo no Congresso. Diante disso, Lula tem sinalizado a interlocutores que, desta vez, qualquer composição ministerial precisa vir amarrada a um número mínimo e verificável de votos no plenário, e não apenas a uma promessa de boa vontade.

É um cálculo que expõe o tamanho da dependência do governo em relação ao Centrão logo na largada do quarto mandato. Reeleito com uma base fragilizada no Congresso e sem maioria própria no Senado, Lula chega a 2027 precisando negociar cargo por cargo para garantir que medidas como o ajuste fiscal e eventuais mudanças tributárias tenham fôlego para avançar.

Esse quadro reforça um argumento que a oposição já vem repetindo desde a reeleição: o governo petista, apesar do resultado nas urnas, não tem força política suficiente para governar sem fazer concessões generosas a partidos que, historicamente, cobram caro e entregam pouco em troca. A instalação do Ministério da Segurança Pública, ainda sem definição de nome, e a montagem completa da Esplanada devem avançar somente depois que esse quebra-cabeça partidário for fechado, o que deve se estender pelas próximas semanas.

Este texto foi produzido com base em reportagem publicada por O Antagonista.

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