
Jeep Grand Cherokee 4xe tem recall por falha nos airbags
A Stellantis convocou donos do Jeep Grand Cherokee 4xe no Brasil para um recall motivado por uma falha que pode atrasar a abertura dos airbags laterais em caso de colisão. A campanha, iniciada em 3 de novembro, atinge unidades ano-modelo 2023 e 2024 do SUV híbrido plug-in, todas importadas dos Estados Unidos, e o reparo é gratuito.
O problema está localizado no módulo de controle dos airbags, identificado pela sigla ORC (Occupant Restraint Controller). Segundo a montadora, uma falha de software pode manter ativo, de forma permanente, um erro passageiro nos sensores de pressão instalados nas portas, responsáveis por detectar o impacto em batidas laterais. Como esse tipo de colisão deixa pouco espaço entre o ocupante e o ponto de impacto, o tempo de resposta do airbag é decisivo para reduzir a gravidade das lesões.
De acordo com a Stellantis, o atraso no acionamento aumenta o risco de ferimentos graves ou fatais para o motorista e o passageiro do banco dianteiro. O reparo consiste exclusivamente em uma atualização do software que gerencia o sistema, sem necessidade de substituição de peças físicas, e o procedimento leva cerca de uma hora nas concessionárias autorizadas da marca.
Mesmo defeito já motivou recall nos Estados Unidos
O problema identificado no Brasil não é inédito. Em maio deste ano, a Stellantis já havia convocado mais de 400 mil unidades do Grand Cherokee e do Grand Cherokee L nos Estados Unidos por causa do mesmo defeito no módulo ORC, segundo informações do site AutoPapo. A repetição do problema em mercados diferentes sugere uma falha de origem no próprio software de fábrica, que a empresa vem corrigindo country a country à medida que identifica os veículos afetados.
Esta também não é a primeira vez que o Grand Cherokee 4xe é alvo de recall no Brasil neste ano. Em março, as mesmas versões 2023 e 2024 já haviam sido chamadas às concessionárias por outro motivo: risco de incêndio na bateria de alta tensão do sistema híbrido plug-in. A recorrência de chamados em um intervalo de poucos meses levanta questões sobre o controle de qualidade da linha de produção destinada à exportação para o mercado brasileiro, ainda que a Stellantis não tenha comentado publicamente esse padrão.
O Grand Cherokee 4xe é um dos modelos mais caros do portfólio da Jeep no Brasil, voltado a um público que busca desempenho híbrido plug-in aliado ao posicionamento premium da marca. Recalls recorrentes em um SUV desse porte tendem a pesar na percepção de confiabilidade, especialmente entre consumidores que pagaram um valor elevado justamente pela promessa de tecnologia mais sofisticada e, em tese, mais testada.
Como verificar se o carro está na lista de convocados
A identificação dos veículos afetados é feita pelo número do chassi. Segundo o comunicado da Stellantis reproduzido pelo AutoPapo, a campanha abrange veículos com finais de chassi não sequenciais situados entre P8823878 e R8621893. Para saber se o veículo está incluído, o proprietário deve conferir os oito últimos dígitos do chassi, informação disponível no documento do veículo (CRLV).
O agendamento do reparo pode ser feito por três canais: diretamente no site da Jeep, pelo WhatsApp no número (31) 2123-4000, ou pelo telefone 0800 703 7150. A Stellantis reforça que o atendimento é gratuito e recomenda que os proprietários não adiem a verificação, já que o defeito envolve diretamente um item de segurança passiva do veículo.
Recalls de airbag têm histórico de gerar grandes crises no setor automotivo mundial, a mais notória sendo o caso Takata, que levou ao chamado de dezenas de milhões de veículos em todo o mundo ao longo da década passada por explosões em inflamadores de airbag. Embora o caso da Jeep seja de natureza distinta (uma falha de software, não um defeito físico no componente explosivo), o episódio reforça um padrão da indústria: falhas em sistemas de restrição a ocupantes raramente ficam restritas a um único mercado, e o monitoramento ativo por parte do consumidor segue sendo a melhor defesa enquanto a correção não chega a todas as unidades.
Proprietários que não possuem certeza sobre o histórico de recalls do próprio veículo podem ainda consultar o site da Fenabrave ou o próprio portal do fabricante, prática recomendada pelos especialistas do setor para qualquer veículo importado ou nacional com mais de um ano de uso.
Com informações de AutoPapo.
