
BYD dispara e lidera avanço das marcas chinesas no Brasil mesmo com queda geral de vendas em outubro
As marcas chinesas voltaram a ampliar espaço no mercado automotivo brasileiro em outubro, mesmo em um mês de queda no volume total de veículos emplacados pelo grupo. Segundo levantamento do portal Notícias Automotivas com base em dados da Fenabrave, as fabricantes chinesas somaram 58.143 emplacamentos de automóveis e comerciais leves no país, equivalentes a 22,9% de todo o mercado nacional no período.
O número chama atenção por um contraste direto: em setembro, as mesmas marcas haviam vendido 58.752 unidades, ou seja, 609 veículos a mais do que em outubro, mas detinham uma fatia menor do mercado, de 21,9%. A explicação está no desempenho do restante do setor, que recuou de forma mais acentuada do que as chinesas, abrindo espaço para que o grupo ganhasse participação relativa mesmo vendendo um pouco menos em termos absolutos.
BYD dispara na liderança e amplia distância
A BYD segue isolada na ponta do ranking das marcas chinesas no Brasil. A fabricante emplacou 24.114 veículos em outubro, alta frente aos 22.218 registrados em setembro, consolidando uma distância expressiva para a segunda colocada, a GWM, que cresceu de 8.964 para 10.781 unidades no mesmo intervalo.
Na comparação anual, o salto da BYD e das chinesas como um todo fica ainda mais evidente. Em outubro de 2025, o grupo havia registrado 25.936 emplacamentos e uma fatia de apenas 10,5% do mercado brasileiro. Um ano depois, mesmo com um volume total praticamente estável, a participação de mercado mais que dobrou, um avanço de 12,4 pontos percentuais que reflete tanto o crescimento das marcas chinesas quanto a retração de parte da concorrência tradicional no mesmo período.
Completando o top 5 das chinesas, a disputa pela terceira posição ficou mais apertada do que no mês anterior. A Omoda & Jaecoo terminou outubro com 5.856 unidades, à frente da CAOA Chery, que emplacou 5.754 veículos, uma diferença de apenas 102 unidades entre as duas marcas. Ambas, no entanto, venderam menos do que em setembro, quando somaram 6.629 e 7.660 unidades respectivamente, o que indica que a desaceleração do mês não atingiu igualmente todas as fabricantes do grupo chinês. A Geely fechou a lista das cinco primeiras, à frente de GAC e CAOA Changan.
Marcas menores também mostram crescimento isolado
Nem todas as marcas chinesas seguiram a tendência de queda que marcou o grupo como um todo em outubro. A CAOA Changan, sétima colocada no ranking setorial, foi uma das exceções: passou de 1.564 emplacamentos em setembro para 1.924 em outubro, um crescimento que a aproxima ainda mais da briga pelo meio da tabela. Logo atrás dela, a Leapmotor também avançou, de 1.183 para 1.549 unidades no mesmo intervalo, mantendo o ritmo de expansão que a marca vem registrando desde sua chegada mais recente ao mercado brasileiro.
Na parte de baixo da tabela, o retrato é de queda generalizada. A Geely, quinta colocada, emplacou 3.141 veículos em outubro ante 4.691 em setembro, uma retração de quase um terço no intervalo de um mês. A GAC também recuou, de 2.678 para 2.107 unidades, enquanto a Denza, posicionada no segmento mais premium do grupo chinês, fechou o mês com 626 emplacamentos, abaixo dos 698 registrados no mês anterior. A Jetour foi uma das exceções estáveis, praticamente repetindo o desempenho de setembro, com 1.137 unidades ante 1.130.
Esse movimento de marcas menores crescendo enquanto as líderes de mercado perdem volume costuma ser lido pelo setor como sinal de que a concorrência entre as fabricantes chinesas no Brasil está longe de se acomodar. Com pelo menos dez marcas chinesas disputando espaço simultâneo no mercado brasileiro, da líder BYD a nomes ainda em fase de consolidação como Denza e Jetour, a pulverização de lançamentos e campanhas comerciais tende a se intensificar nos próximos meses, especialmente com a chegada do período de promoções de fim de ano.
O avanço das chinesas no Brasil acontece num momento de debate público sobre a instalação de fábricas dessas marcas em território nacional, um movimento que já atraiu grupos como BYD, GWM e CAOA Chery, numa tentativa de driblar as tarifas de importação que incidem sobre veículos vindos diretamente da Ásia. A disputa por espaço entre essas marcas, portanto, tende a ficar ainda mais acirrada à medida que a produção local avança e os preços praticados no país passam a refletir cada vez menos o custo do transporte internacional.
Volume total do setor caiu, mas chinesas resistiram melhor
O recuo de 609 unidades no total das marcas chinesas em outubro ocorre em um contexto de desaceleração mais ampla do mercado automotivo brasileiro no mês, puxado em parte pela retração registrada no segmento de SUVs, que recuou 9,3% na mesma base de comparação, segundo dados do próprio setor. Nesse cenário, o fato de o grupo chinês ter perdido menos força relativa do que o mercado como um todo ajuda a explicar o ganho de participação percentual mesmo com queda nominal nas vendas.
Para o consumidor brasileiro, o resultado prático dessa disputa interna entre marcas chinesas tem sido uma pressão constante sobre os preços de modelos elétricos e híbridos, com descontos e reposicionamentos frequentes para sustentar volume de vendas. Um exemplo recente dessa movimentação é o corte de R$ 39 mil aplicado pela MG no preço do SUV elétrico S5, que passou a custar menos do que rivais a combustão do mesmo porte, numa estratégia que resume bem o ritmo acelerado de competição que caracteriza esse mercado neste momento.
Matéria com informações do Notícias Automotivas, com base em dados da Fenabrave.
