Foto oficial/Agência SenadoFlávio reúne argumentos para pedir asilo nos EUA após Justiça argentina descartar irregularidade na fuga
A carta divulgada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao chegar aos Estados Unidos nesta semana contém, segundo analistas ouvidos pela imprensa, a base argumentativa para um pedido formal de asilo político ao governo americano. No texto, o senador relata que a Polícia Federal pediu o cancelamento de seus passaportes apenas sete minutos depois da proclamação do resultado da eleição presidencial pelo TSE, medida acolhida no mesmo domingo pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
“Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado”, escreveu Flávio na carta, acrescentando que não existe mandado de prisão contra ele porque não cometeu nenhum crime.
Especialistas veem chance real de asilo
Advogados especializados em imigração consultados pela Gazeta do Povo consideram provável a concessão do asilo, instrumento que garante residência por tempo indeterminado nos Estados Unidos. A advogada Ana Barbara Schaffert, especialista em imigração atuante no país, avalia que o argumento central seria o de perseguição promovida pelo próprio Judiciário brasileiro: “a alegação seria de perseguição pelo próprio Estado, mais especificamente pelo Judiciário”.
O cientista político Márcio Coimbra, CEO da Casa Política, reforça a leitura: “a decisão monocrática e sigilosa de Alexandre de Moraes, logo após a derrota eleitoral de Flávio, determinando a entrega de passaportes e a proibição de saída do país, ocorre em um contexto histórico de medidas restritivas do STF contra a família Bolsonaro e a oposição, com timing que reforça a narrativa de lawfare e instrumentalização judicial”.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, classificou o parlamentar como “um exilado político, não por escolha”. Segundo Marinho, “a ele não restou uma outra opção para manter a sua integridade física, a sua liberdade e a sua capacidade de poder falar o que precisa ser falado, senão sair exilado do país”.
Trump autorizou pessoalmente a entrada
O jornal americano The New York Times revelou nesta quinta-feira (29) que o próprio presidente Donald Trump determinou pessoalmente a concessão de uma autorização migratória especial para que Flávio e sua família entrassem nos Estados Unidos. Segundo autoridades ouvidas pelo jornal, o senador recebeu uma permissão temporária conhecida como “parole” e poderá obter residência permanente no país posteriormente. Um integrante da Casa Branca participou da organização da viagem, providenciando inclusive o avião particular utilizado pela família.
Justiça argentina não encontra irregularidade
A passagem de Flávio pela Argentina, etapa da viagem até Miami, chegou a ser alvo de uma denúncia apresentada por um dirigente de esquerda contra o governo de Javier Milei, que resultou em uma ordem judicial para preservação de imagens de câmeras de segurança. A apuração, no entanto, não durou muito: o procurador federal Aníbal Fabián Martínez concluiu que não havia indícios de crime na entrada e na saída de Flávio do território argentino, após consultar a Direção Nacional de Migrações e a Interpol, que não tinha nenhum registro de restrição contra o senador. A Promotoria considerou que ele cumpriu todos os procedimentos migratórios exigidos e dispensou a necessidade de novas provas.
Em paralelo, tramita no Senado uma discussão regimental sobre o número de faltas não justificadas de Flávio às sessões deliberativas da Casa, hoje em 11 no ano. O regimento prevê perda de mandato a partir de um terço das sessões ordinárias do ano, limite que, pelas contas atuais, ainda está distante de ser atingido.
Com informações de Gazeta do Povo, O Antagonista e Agência Senado.
