Zambelli pede ajuda financeira a apoiadores para se manter na Itália

Zambelli pede ajuda financeira a apoiadores para se manter na Itália

Zambelli pede ajuda financeira a apoiadores na Itália

ESPAÇO PUBLICITÁRIO 336x280 (após o 1º subtítulo)

A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) iniciou uma campanha de arrecadação de fundos para conseguir se manter na Itália, onde está refugiada desde o ano passado enquanto aguarda decisão da Justiça italiana sobre um pedido de extradição para o Brasil. Em vídeo divulgado nas redes sociais, a ex-parlamentar pediu a apoiadores uma contribuição de R$ 50 por mês. As informações são de O Antagonista e da Jovem Pan.

Segundo Zambelli, a situação em que se encontra é consequência direta de decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. “Moraes destruiu a minha vida. Porque além de ter bloqueado tudo meu, ele também impediu que eu abrisse conta corrente em qualquer lugar do mundo. Porque ele colocou na Interpol um crime de invasão com prejuízo financeiro, que dá a entender que eu roubei um banco. Então, nenhum banco do mundo, seja digital ou daqui da Itália, quer abrir uma conta pra mim”, disse a ex-parlamentar.

Sem conta bancária, sem trabalho formal

ESPAÇO PUBLICITÁRIO 336x280 (após o 2º subtítulo)

A ex-deputada explicou que a ausência de uma conta bancária em seu nome inviabiliza qualquer tentativa de trabalho regular no país europeu. “Só que aqui na Itália, para você trabalhar, você precisa ter uma conta no seu nome, para que a pessoa deposite o seu salário na sua conta. E infelizmente eu não tenho como fazer isso”, afirmou.

Em troca da contribuição mensal, Zambelli promete oferecer acesso a uma comunidade on-line com conteúdos exclusivos sobre “várias áreas do conhecimento”, incluindo relatos sobre o período em que esteve presa. “Nós vamos falar sobre tudo e também vou passar um pouco da experiência que eu tive na prisão e o que isso me ensinou. Eu tenho certeza de que isso pode ajudar em alguma coisa na sua vida”, disse. Segundo ela, a ajuda financeira seria necessária apenas até “resolver” sua situação com a Justiça brasileira.

Julgamento da extradição adiado para novembro

A Justiça da Itália adiou para 24 de novembro o julgamento sobre o pedido de extradição de Zambelli para o Brasil. A Corte de Apelação de Roma atendeu a um pedido da defesa, que alegou não ter tido acesso à documentação enviada pelo Brasil sobre as condições da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, para onde a ex-deputada seria levada em caso de extradição.

A extradição chegou a ser autorizada pela primeira instância da Justiça italiana, mas a defesa conseguiu levar o caso à Corte de Cassação, a última instância recursal do país, sob o argumento de falta de informações sobre as condições carcerárias no Brasil. Essa é a segunda vez que a extradição de Zambelli é julgada pela Justiça italiana: num caso anterior, ligado à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça, os magistrados italianos negaram o pedido citando o que descreveram como falta de imparcialidade do relator no STF, o próprio ministro Alexandre de Moraes.

Em nota, o advogado Eduardo Maurício, que representa a ex-deputada, afirmou que o julgamento não poderia ter ocorrido sem que a defesa tivesse acesso pleno à documentação brasileira, sob risco de comprometer o direito de ampla defesa. Segundo o advogado, “extraditar Carla ao Brasil seria o mesmo que entregá-la à morte, já que o sistema prisional brasileiro é desumano e degradante”.

Duas condenações e uma fuga

Zambelli foi condenada pelo STF a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, depois de perseguir, armada, o jornalista Luan Araújo pelas ruas do bairro dos Jardins, em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022. Recebeu ainda pena de dez anos de prisão pela invasão dos sistemas do CNJ, caso em que foi acusada de inserir um mandado de prisão falso contra o próprio Moraes.

Antes que fosse expedida a ordem para o cumprimento da primeira pena, a ex-deputada se valeu do passaporte europeu, a que tem direito por ascendência italiana, para embarcar rumo aos Estados Unidos e, depois, à Itália, onde pediu refúgio alegando perseguição política. Chegou a ser presa em Roma a pedido do STF, mas foi solta depois que o primeiro pedido de extradição foi negado em definitivo. Em setembro, a defesa pediu ao STF um salvo-conduto para que ela pudesse entrar no Brasil e votar no primeiro turno das eleições presidenciais; o pedido foi negado pela Corte.

Um caso que divide opiniões

O episódio da vaquinha expõe, de um lado, a situação concreta de alguém que hoje vive sem acesso ao sistema bancário em nenhum país do mundo por decisão de um único ministro do STF, e, de outro, o histórico de condenações que motivou a medida. Independentemente da posição que se tome sobre o mérito das condenações, a ex-deputada segue hoje como um símbolo da disputa em curso sobre os limites do poder individual de ministros da Corte para bloquear bens e restringir a vida financeira de um cidadão, mesmo fora do território brasileiro.

Com informações de O Antagonista e da Jovem Pan.

CATEGORIAS
Compartilhar

COMENTÁRIOS