PL chega a 2027 com a maior bancada do Senado desde a Constituição de 1988Foto: Pexels

PL chega a 2027 com a maior bancada do Senado desde a Constituição de 1988

O Partido Liberal (PL) vai iniciar a legislatura de 2027 com a maior bancada de um único partido no Senado desde a promulgação da Constituição de 1988. A partir de fevereiro, quando tomam posse os parlamentares eleitos em outubro, a sigla vai ocupar 29 das 81 cadeiras da Casa, equivalente a 36% do total, segundo projeção da Agência Senado. O tamanho inédito da bancada deve ampliar a influência do partido nas votações, na escolha de presidências de comissões, na fiscalização do governo federal e na análise de indicações feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A projeção considera, além do resultado direto das urnas em outubro, a entrada de suplentes em vagas de senadores que se candidataram a governador e venceram no segundo turno. Com 29 integrantes, o PL terá quase o triplo do PT, que fica em segundo lugar entre as bancadas da Casa, com dez parlamentares. No início de 2026, o PL já despontava como maior partido do Senado, mas contava com 15 senadores. A nova legislatura praticamente dobra essa representação.

Apesar do salto, a legenda não alcança maioria absoluta. Para aprovar projetos de lei complementar ou indicações de ministros ao Supremo Tribunal Federal, são necessários ao menos 41 votos favoráveis. Já as propostas de emenda à Constituição exigem 49 votos, em dois turnos. Isso obriga o PL a negociar com outras siglas tanto para emplacar suas próprias bandeiras quanto para travar iniciativas do governo que considere contrárias a seus interesses.

Bancada abre caminho para CPIs sem depender de aliados

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Um dos efeitos mais diretos do crescimento é o reforço da capacidade de fiscalização sobre o Poder Executivo. Pelo regimento do Senado, são necessárias assinaturas de ao menos 27 parlamentares para requerer a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Com 29 senadores, o PL passa a ter, isoladamente, número suficiente para apresentar requerimentos desse tipo, desde que cumpridos os demais requisitos constitucionais e regimentais, sem precisar costurar apoio externo logo na fase de assinaturas.

A bancada também ganha mais força para articular convocações de ministros de Estado e para disputar espaço na composição das comissões responsáveis por fiscalizar o governo. O tamanho do grupo amplia ainda o peso político do partido na análise de vetos presidenciais e na votação de indicações para cargos como ministros do STF, procurador-geral da República, diretoria do Banco Central, dirigentes de agências reguladoras e embaixadores. Ouvido pela Agência Senado, o consultor legislativo Gilberto Guerzoni Filho avaliou que uma bancada com mais de um terço da Casa aumenta a necessidade de negociação entre o Palácio do Planalto e a oposição antes mesmo da apresentação formal de nomes para cargos estratégicos, já que o governo precisa calcular de antemão se terá fôlego para aprová-los.

Disputa pelo comando da Casa segue aberta

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O tamanho das bancadas pesa diretamente na eleição do presidente do Senado e da Mesa Diretora, cargo central na definição da pauta de votações e na condução dos trabalhos legislativos. Mesmo com a maior bancada isolada, o PL não garante automaticamente o comando da Casa, já que a disputa depende de acordos entre partidos.

Parlamentares do PL, do Novo e de uma ala do PP já articulam apoio à candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência, mesmo com a federação formada por União Brasil e PP tendo anunciado apoio à reeleição do atual presidente, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A disputa interessa de perto ao Palácio do Planalto: Lula reaproximou-se de Alcolumbre depois de um período de desgaste causado pela rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF, e pretende reenviar o nome de Messias ao Senado contando com o apoio do presidente da Casa para reunir os votos necessários.

A distribuição das bancadas também interfere na composição das comissões permanentes, entre as quais a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), que analisa a constitucionalidade de projetos e participa da avaliação de indicações para tribunais superiores, e a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), que examina matérias econômicas e financeiras, incluindo indicações para a diretoria do Banco Central. Pela prática parlamentar, partidos maiores têm preferência na escolha das comissões que pretendem presidir, respeitadas as negociações políticas e a proporcionalidade entre as siglas.

Maior concentração em um partido desde o fim do regime anterior

O novo cenário rompe uma tendência de décadas. Desde a Constituição de 1988, nenhuma legenda havia começado uma legislatura do Senado com 29 cadeiras. A última vez em que um partido chegou a ter maioria absoluta na Casa foi em 1987, quando o PMDB ocupava 46 dos 72 assentos então existentes, quase 64% do total, num Senado bem menor e ainda sob regras do período de transição democrática. De lá para 2026, a distribuição dos parlamentares entre diferentes siglas tornou-se mais fragmentada, reduzindo a concentração de poder em um único partido, até a inflexão provocada pelo resultado de outubro.

A eleição de 2026 renovou dois terços das cadeiras do Senado, ciclo que se alterna com a renovação de um terço a cada quatro anos, conforme a regra constitucional de alternância criada justamente para evitar trocas bruscas demais na composição da Casa de uma só vez. Mesmo com esse desenho pensado para suavizar mudanças, o resultado desta eleição concentrou votos de forma inédita em uma única legenda.

O líder da oposição, Rogério Marinho, disse à Agência Senado que o resultado das urnas aumenta a responsabilidade do partido no Congresso. Além dos 29 senadores, o PL também elegeu a maior bancada individual da Câmara, com 121 dos 513 deputados federais. Já o senador Paulo Paim (PT-RS) defendeu que as diferenças ideológicas não devem impedir a negociação e a construção de consensos na Casa. Para o diretor de documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Neuriberg Dias, o crescimento do PL e de seus aliados deve produzir uma oposição com maior capacidade de interferir nas decisões legislativas a partir de 2027, num Congresso em que o Palácio do Planalto já negocia, peça por peça, sua nova base com PSD, MDB, União Brasil, PP e Republicanos.

Matéria com informações de Jovem Pan e Agência Senado.

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