Wikimedia Commons (CC0)Conquistar pelo caos: o vandalismo em Paris nos recorda da tática histórica da esquerda
Uma onda de manifestações violentas tomou a França no último fim de semana de outubro, reavivando o debate sobre a relação entre movimentos de esquerda e o uso da violência como estratégia política. Segundo estimativas de um funcionário francês, cerca de 550 mil pessoas participaram dos protestos em todo o país, das quais mais de 100 mil se concentraram em Paris, incluindo a tradicional avenida Champs-Élysées.
Durante os distúrbios, manifestantes saquearam ao menos 3 mil estabelecimentos comerciais, entre eles lojas de marcas de luxo como Apple e Louis Vuitton, além de incendiarem veículos e prédios públicos. O episódio mais marcante foi a destruição por incêndio da prefeitura histórica de Limoges, construção de 143 anos que havia resistido à ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial, mas não suportou a ação da multidão, descrita como vestida de preto e portando bandeiras palestinas. A polícia francesa prendeu cerca de 2.400 pessoas ao longo dos protestos.
Macron atribui distúrbios à ultraesquerda
O presidente francês, Emmanuel Macron, classificou os episódios como “atos políticos e sediciosos de grupos de ultraesquerda cujo objetivo é derrubar a República”. A declaração encontrou eco em setores da imprensa internacional, que relataram o apoio explícito de partidos e lideranças de esquerda aos manifestantes, incluindo Jean-Luc Mélenchon, líder do partido França Insubmissa, que participou pessoalmente dos atos em Paris e criticou a atuação da polícia, classificando a resposta das forças de segurança como descontrolada diante das multidões.
O contraste chamou atenção de observadores: um mês antes dos distúrbios, a mesma avenida Champs-Élysées havia recebido cerca de 800 mil pessoas durante uma missa ao ar livre celebrada pelo papa Leão XIV, evento pacífico marcado pela presença de bandeiras francesas e realizado totalmente às claras, sem qualquer necessidade de ocultação de identidade por parte dos participantes.
Fenômeno se repete em outras democracias ocidentais
A França não é o único país a enfrentar esse tipo de escalada. Distúrbios recentes em Milão, na Itália, deixaram cerca de 200 policiais feridos, e, entre os 330 detidos pela polícia italiana, aproximadamente a metade era composta por estrangeiros ou filhos de imigrantes, muitos dos quais também portavam bandeiras palestinas durante os confrontos. Nos Estados Unidos, cenas semelhantes já haviam sido registradas em cidades como Nova York e Washington, além de diversos campi universitários nos últimos anos.
Analistas do campo conservador argumentam que esses episódios não seriam levantes espontâneos, mas sim ações coordenadas por grupos que compartilham o objetivo comum de desestabilizar instituições ocidentais, ainda que motivados por ideologias distintas, entre anarquistas, comunistas, socialistas e grupos estrangeiros. Para esses críticos, tais movimentos não reconheceriam valor no patrimônio histórico, institucional e cultural dos países onde atuam, o que explicaria a disposição para recorrer à violência como instrumento político.
O debate sobre o papel da esquerda radical nos distúrbios também chegou à imprensa europeia, que tem investigado em que medida lideranças políticas estariam de fato coordenando os atos ou apenas capitalizando politicamente o descontentamento popular. O episódio renovou a discussão sobre os limites entre protesto legítimo e vandalismo, tema que deve seguir no centro do debate político francês às vésperas da eleição presidencial marcada para abril.
Com informações de Gazeta do Povo.
