Cristiano Ronaldo encerra ciclo com Portugal: camisa 7 é devolvida após 23 anos, 234 jogos e 143 gols

Cristiano Ronaldo encerra ciclo com Portugal: camisa 7 é devolvida após 23 anos, 234 jogos e 143 gols

A despedida em vídeo

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Portugal entra em uma nova era. Na manhã desta quinta-feira (5), Cristiano Ronaldo anunciou sua aposentadoria da seleção portuguesa por meio de um vídeo publicado em suas redes sociais. A decisão foi coberta pelo VAVEL Brasil e caiu um dia antes de Jorge Jesus anunciar a convocação para os jogos contra Dinamarca e País de Gales, que marcarão o início de um ciclo sem o maior artilheiro da história das seleções masculinas.

Os números que Ronaldo deixa para trás são de outro planeta. Foram 234 partidas e 143 gols com a camisa de Portugal desde a estreia, em 2003, em um amistoso contra o Cazaquistão. O atacante disputou seis Copas do Mundo, de 2006 a 2026, e se tornou o único jogador da história a marcar gols em todas elas. Levantou três títulos como capitão da seleção: a Eurocopa de 2016, na França, e as edições de 2019 e 2025 da Liga das Nações.

De um menino na Madeira ao topo do futebol mundial

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A caminhada começou longe dos holofotes. Em agosto de 2003, um garoto de 18 anos vindo da ilha da Madeira estreou pela seleção principal e mudou a história do futebol português para sempre. No ano seguinte, ele já disputava uma final de Eurocopa em casa. Portugal chegou à decisão da Euro 2004, realizada no próprio país, mas foi derrotado pela surpreendente Grécia, uma das maiores zebras da história do torneio.

A primeira Copa do Mundo veio em 2006, na Alemanha. Naquela edição, Portugal terminou em quarto lugar, que segue sendo a melhor colocação do país no torneio na era Ronaldo. Depois vieram 2010, 2014, 2018, 2022 e, por fim, 2026. Em cada uma delas, o camisa 7 balançou as redes, um feito que nenhum outro futebolista conseguiu repetir. Seis Mundiais, seis torneios com gol. Um recorde que tende a durar gerações.

Se as Copas reservaram frustrações, os torneios de seleções na Europa trouxeram as alegrias maiores. Em 2016, em plena França, Ronaldo levantou a taça que parecia impossível e deu a Portugal sua primeira grande conquista. A capitania esteve presente nas três taças da história da seleção: a Euro daquele ano e as duas Ligas das Nações, em 2019 e 2025, esta última já no fim da carreira dele com a camisa nacional.

“Chegou o dia de devolver a camisa 7”

O texto do vídeo, na íntegra, foi transcrito pelo VAVEL Brasil, e alguns trechos já circulam como marcos da despedida. “Aos portugueses, chegou o dia de devolver a camisa 7 da seleção, que é de todos nós. Nunca a senti como exclusivamente minha, mas, durante 23 anos, tive o privilégio e a responsabilidade de vesti-la, defendê-la e levá-la comigo para estádios do mundo inteiro”, declarou o atacante.

Ele também reservou palavras para um público que raramente aparece nos discursos: os emigrantes. “Vejo imigrantes que, durante noventa minutos, sentiam Portugal um pouco mais perto. Vejo milhões de portugueses que nunca conheci pessoalmente, mas que fizeram parte da minha vida”, disse. E fechou com a frase que resume a carreira: “Passei a minha vida a trabalhar para ser o melhor jogador do mundo. Hoje percebo que a maior vitória foi ter merecido representar o melhor país do mundo. Obrigado por esses 23 anos. Obrigado por terem acreditado em mim. Obrigado por me permitir viver um sonho que começou quando eu era apenas um menino, na Madeira, correndo atrás de uma bola.”

É importante notar que a despedida vale apenas para a seleção. “Hoje termina minha caminhada dentro de campo com a seleção”, escreveu Ronaldo no vídeo, deixando claro que a decisão não encerra sua carreira como profissional, que segue em atividade no futebol saudita.

O pano de fundo da decisão

O timing do anúncio não passou despercebido. Em outubro, o próprio VAVEL Brasil noticiou que Cristiano Ronaldo havia exposto uma crise de relacionamento com Jorge Jesus no ambiente da seleção. O anúncio da aposentadoria chegou menos de 24 horas antes de uma nova lista de convocados, o que pode ser lido como um fechamento de ciclos por ambas as partes: a comissão técnica passa a planejar o futuro sem depender do capitão, e o jogador se poupa de recusas públicas.

A repercussão entre os nomes do futebol português começou rápido. Segundo o Placar, José Mourinho, uma das vozes mais respeitadas do país, pediu respeito à decisão de Cristiano Ronaldo, em uma mensagem que reforçou o tom de despedida em vez de polêmica.

O que muda para Portugal

O desafio que se impõe a Jorge Jesus é enorme: substituir, de uma hora para outra, o jogador que respondeu por 143 gols em 234 jogos e que foi decisivo em praticamente todos os ciclos da seleção nas últimas duas décadas. Nenhum elenco do mundo tem resposta pronta para uma baixa desse tamanho, e a convocação para os amistosos contra Dinamarca e País de Gales será a primeira grande oportunidade de ver como a nova geração portuguesa responde sem a referência histórica em campo.

Do lado do jogador, resta a continuidade nos clubes e, inevitavelmente, o debate sobre um eventual papel institucional no futebol português no futuro. O que está claro, pelo teor da mensagem, é que Ronaldo encerra o ciclo de cabeça erguida, sem conflitos públicos e com a sensação de dever cumprido. A camisa 7, como ele mesmo escreveu, agora pertence ao futuro.

Informações do VAVEL Brasil.

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