Israel Marques, Wikimedia Commons, CC BY 2.0Internacional protesta contra arbitragem após derrota para o Fluminense e promete reclamação à CBF
O Internacional divulgou uma nota oficial de indignação com a arbitragem da derrota para o Fluminense, por 2 a 1, no Maracanã. O clube gaúcho contestou três lances específicos da partida e anunciou que vai protocolar uma reclamação formal junto à Confederação Brasileira de Futebol, elevando o tom de uma queixa que já se repete há semanas no Colorado.
Segundo o comunicado assinado pelo clube, o primeiro episódio questionado ocorreu ainda no início do confronto, quando o Inter teria sofrido um pênalti não assinalado pela arbitragem. Mais tarde, já no segundo tempo e com o time gaúcho em vantagem no placar, o lateral Renê acertou um carrinho sobre o atacante Ronaldo que, na leitura do Colorado, configuraria infração passível de expulsão. O árbitro aplicou apenas cartão amarelo.
Pouco depois do mesmo lance, Renê, já advertido, teria puxado a camisa de Bruno Gomes e interrompido um contra-ataque promissor do Internacional. A falta foi marcada, mas o segundo cartão amarelo, que resultaria na expulsão do jogador do Fluminense, não veio. Para o Inter, a soma dos três episódios comprometeu diretamente o resultado da partida.
O que diz a nota oficial do clube
Na manifestação publicada em suas redes sociais, o Internacional classificou os episódios como erros graves, e não como lances meramente interpretativos. “Não se trata de lances interpretativos. São erros graves, que interferiram diretamente no andamento da partida e comprometem a integridade da competição”, afirmou o clube em nota.
O texto também trouxe uma cobrança direta à CBF: “O Clube apresentará reclamação formal à CBF e exigirá que os confrontos decisivos do Campeonato Brasileiro sejam conduzidos por arbitragens à altura de sua importância”. A nota termina com um questionamento que resume o tom da crise entre o clube e a arbitragem nas últimas rodadas: “Pela terceira rodada consecutiva, o Inter deixa o campo prejudicado. Fica a pergunta: a quem interessa?”
Essa frase final não é um detalhe isolado. O Internacional destacou que esta foi a terceira rodada consecutiva em que o clube se sente prejudicado por decisões da arbitragem, o que sugere uma queixa recorrente e não um episódio pontual motivado apenas pela derrota no Maracanã.
Contexto da crise de arbitragem no Brasileirão
O protesto do Internacional não é um caso isolado na reta final do Campeonato Brasileiro. Na mesma rodada, outros clubes também vieram a público questionar decisões da arbitragem, em um momento da temporada em que cada ponto pesa tanto na briga por vaga em competições continentais quanto na fuga do rebaixamento. A proximidade do fim da competição tende a elevar a pressão sobre árbitros e o VAR, já que qualquer erro em um lance decisivo pode alterar diretamente a classificação final de uma equipe.
Clubes historicamente recorrem a notas públicas como esta para pressionar a CBF a adotar critérios mais uniformes na designação de árbitros para jogos decisivos, sobretudo quando entendem que a sequência de prejuízos em rodadas seguidas não pode ser atribuída apenas ao acaso. A reclamação formal prometida pelo Internacional segue o rito padrão da confederação: o clube protocola o documento com a descrição técnica dos lances, acompanhado de imagens e, quando possível, de laudos da própria comissão de arbitragem sobre o que foi observado em campo.
A derrota para o Fluminense também tem peso esportivo imediato para o Internacional, que briga por posições de meio de tabela com ambições de classificação para torneios continentais em 2027. Cada ponto perdido em lances contestados reduz a margem do clube na reta final da competição, o que ajuda a explicar a urgência da nota e o tom direto escolhido pela diretoria colorada ao se dirigir à CBF.
Enquanto a reclamação formal não é analisada pela confederação, o Internacional segue sua preparação para os próximos compromissos do Brasileirão, mantendo o discurso de que espera uma mudança efetiva na condução das partidas decisivas que ainda restam na temporada.
Outros clubes também reclamaram na mesma rodada
O caso do Internacional não foi isolado naquele fim de semana de futebol brasileiro. Horas depois, o Santos também divulgou nota pública contestando decisões da arbitragem na derrota para o Red Bull Bragantino, classificando como “grotescos” os erros das últimas duas partidas do time paulista. O executivo de futebol santista, Alexandre Mattos, chegou a afirmar que o clube “não vai ficar mais calado” e que já havia entrado em contato direto com a CBF no mesmo dia.
A coincidência de dois clubes grandes do futebol brasileiro divulgando notas de protesto contra a arbitragem na mesma rodada reforça a percepção, dentro dos próprios departamentos de futebol, de que a reta final do Brasileirão está sob um escrutínio maior do que o habitual. Com menos rodadas restantes, cada decisão de VAR ou de campo ganha peso desproporcional na briga por vagas na Libertadores, na Sul-Americana e na fuga do rebaixamento, o que explica a disposição crescente dos clubes de romper o silêncio tradicional sobre arbitragem e levar a discussão a público.
Para a CBF, a repetição de queixas formais de clubes distintos em curto espaço de tempo tende a pressionar a entidade a rever os critérios de designação de árbitros para os duelos mais decisivos das rodadas finais, ainda que a confederação normalmente evite se posicionar publicamente sobre casos específicos enquanto as reclamações estão em análise interna. Nos dois casos, Internacional e Santos, o próprio texto das notas evitou atacar nominalmente os árbitros responsáveis pelas partidas, concentrando a crítica nos lances específicos e na forma como o VAR conduziu, ou deixou de conduzir, as revisões pedidas em campo.
Com informações da Gazeta Esportiva.
