Volkswagen suspende Golf elétrico por falta de dinheiro após prejuízo de R$ 35 bilhõesWikimedia Commons (CC BY-SA 4.0, Vauxford)

Volkswagen suspende Golf elétrico por falta de dinheiro após prejuízo de R$ 35 bilhões

A Volkswagen suspendeu temporariamente o desenvolvimento do Golf totalmente elétrico, o chamado ID. Golf, por um motivo que a própria empresa admite sem rodeios: falta de recursos financeiros para manter o projeto no ritmo planejado. A informação foi confirmada por Thomas Schäfer, presidente da marca Volkswagen, em entrevista interna obtida pela emissora alemã NDR.

Segundo Schäfer, a pausa foi aprovada pela diretoria da companhia, mas o projeto não foi cancelado. “Simplesmente não podemos arcar com esse trabalho no momento”, afirmou o executivo. A nona geração do histórico hatch, cuja estreia já havia sido adiada de 2028 para 2030, deve agora ficar para o início da próxima década.

Prejuízo de R$ 35 bilhões no trimestre

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A decisão de pausar o desenvolvimento veio poucos dias depois de o grupo Volkswagen anunciar prejuízo operacional de R$ 35,2 bilhões, o equivalente a 5,8 bilhões de euros, referente ao terceiro trimestre do ano. É o piso mais baixo registrado pela empresa desde o fim de 2015, quando estourou o escândalo do Dieselgate, a fraude nos testes de emissões de motores a diesel que custou multas bilionárias à montadora.

O principal peso no resultado negativo veio da desvalorização contábil da Porsche, marca da qual a Volkswagen é a maior acionista. A companhia reduziu em R$ 38,8 bilhões o valor da Porsche em seu balanço, diante da expectativa de queda nas vendas da marca de esportivos nos próximos anos. Embora seja uma perda apenas contábil, sem saída efetiva de caixa, o efeito no resultado trimestral foi significativo.

China em queda e tarifas nos EUA pressionam o caixa

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Na China, mercado que por anos foi uma das principais fontes de lucro da Volkswagen, as entregas caíram 38,5% no trimestre, com consumidores locais migrando para marcas chinesas, como a BYD, que ganham participação de mercado a cada ano. Nos Estados Unidos, as tarifas de importação impostas durante o governo de Donald Trump encareceram os carros vindos de fora do país, reduzindo ainda mais as margens da fabricante alemã.

Para tentar reagir ao cenário, a Volkswagen aprovou um plano que prevê até 100 mil demissões e o fechamento de até quatro fábricas na Alemanha. A unidade de Wolfsburg, berço histórico do Golf, está, segundo comunicado interno, R$ 1,8 bilhão abaixo da meta de redução de custos estabelecida pela diretoria. A produção do Golf a combustão, inclusive, deve deixar a cidade alemã rumo ao México a partir de 2027, enquanto a versão elétrica segue sem data definida para chegar às linhas de montagem.

Com informações de AutoPapo.

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